segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Humanitude


sobre Humanitude
O conceito de Humanitude infelizmente é uma palavra que não consta no vocabulário de muitos de nós. Até mesmo com os que lidam diariamente com idosos.
 O conceito humanitude (human de homo do latim, significa Homem mais prefixo itude) é um conceito recente que não conta com mais de 30 anos de existência.
A sua primeira aparição surgiu em 1980 por Freddy Klopfenstein, escritor Suíço usou as seguintes palavras: “Inquietude, solitude, habitude: humanitude.”( KLOPFENSTEIN, F. 1980, pp.)

 Albert Jacquard em 1986 quando alertava para a real dimensão do poder que o Homem poderia ter caso usasse, as suas intenções com diferentes fins (inspirado no conceito de negritude, de Léopold Senghor) adverte que essa mesma energia pode ser utilizada de uma outra forma mais positiva, com uma perspectiva evolucionista do desenvolvimento humano, mais preocupada com o homem e com as suas relações estabelecidas entre si.

 A  Humanitude é “a contribuição de todos os homens, de outrora ou de hoje, para cada homem” (Jacquard,1989, p. 163). O saber-ser, a inteligência emocional, o altruísmo, afectividade e sensibilidade de cada um para com o outro. 

Humanitude é uma escola de pensamento filosófico para a qual o homem está acima de tudo e para a qual o homem constitui o valor supremo, mas difere do Humanismo enquanto  filosofia moral ,conceito de natureza mais antropológica, que nos leva a ver as raízes da nossa condição humana e, por isso mesmo, o que constitui a sua essência” (Margot Phaneuf, inf., Ph. D.)

A humanitude é um legado de acções e experiências que partilhamos, damos e recebemos. É uma rede de partilha de atitudes, gestos e compreensões que aumenta cada vez que uma pessoa abraça ou manifesta outro gesto carinhoso. É uma herança que não deve ser esquecida e que é de grande valor, e só deixará de ter pouco ou nenhum valor quando o homem deixará de ser homem. 

 Tais gestos e atitudes enchem o coração de quem o pratica e de quem o recebe. O essencial é invisível aos olhos, mas é bem visível a empatia estabelecida entre o cuidador e o idoso.
Humanitude é sermos humanos, sermos homens melhores, cuidadores de hoje para um dia mais tarde sermos cuidados pelos mais novos.

Os principais embaixadores de Humanitude são Yves Gineste e Jérôme Pellisier e segundo os próprios os principais sinais de apelos de humanitude são: a verticalidade, o olhar, a palavra, o toque e o sorriso.
  Para Gineste e Marescotti há dois nascimentos em cada vida humana, o nascer biológico, parto e o nascer para a espécie, ou seja atribuir particularidades da espécie o segundo nascimento.
A humanitude é de uma tremenda importância para um futuro gerontologo, sobretudo na prática, em contacto directo com o idoso.

Actualmente existe Instituto Gineste-Marescotti e workshops que usam a metodologia de Cuidados Gineste-Marescotti em Portugal,
Para um melhor entendimento deste método vejam este vídeo para uma melhor percepção real da dimensão nobre e beleza humana que é a Humanitude através de Yves Gineste:

Pedro Simões
 Aluno do Curso de Gerontologia Social 

Bibliografia;

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O futuro será idoso e dos idosos - Dr. marujo


O futuro será "grisalho".
 O futuro será idoso e dos idosos


18/01/12
Por Joaquim Parra Marujo*
No futuro teremos uma nova geração de pessoas idosas. Dessa geração de "maiores", os idosos que realizem um envelhecimento activo terão outra qualidade de vida e uma melhor saúde física, emocional, mental, cognitiva e espiritual.


Vejamos alguns dados estatísticos para compreendermos "quem é quem" dentro de 20 anos. As previsões das Nações Unidas referem que até ao ano de 2050, os países da Europa do Sul, terão as mais altas proporções de pessoas com ou mais de 65 anos de idade. Em Portugal e segundo as projecções do INE "o número de idosos com mais de 65 anos será de 2,95 milhões em 2050, (...) e em 2046 a proporção de população jovem reduzir-se-á a 13% e a população idosa aumentará dos actuais 17,2% para 31%".

No mundo, o número de idosos aumentará rapidamente e passará de 606 milhões (no ano 2000) para perto de 2 mil milhões em 50 anos. O aumento será mais marcante nos países pobres, onde a população idosa se quadruplicará, passando de 374 milhões para 1,6 mil milhões.

Este novo quadro demográfico tanto pode ser um perigo como uma nova oportunidade visto que, ser-se velho, comporta em si mesmo um estatuto de experiências, olhares-saberes e olhares-saber-fazer a serem aproveitados. Simultaneamente, é o estigma de um ser já desvinculado social, cultural e economicamente que transporta o rótulo e a etiquetagem do mito da inflexibilidade face à mudança, o mito da improdutividade laboral e o mito da (falta de) auto-estima.

Com os dados demográficos apresentados e com as iatrogenias do envelhecimento urge a necessidade de estreitar a relação entre a população idosa e a juventude (a intergeracionalidade). Cabe às universidades prepararem licenciados em Gerontologia, os Gerontólogos, preparados cientificamente para planearem e intervirem na prevenção da estabilidade da arquitectura: intelectual, informacional, lúdica, perceptiva, sensorial e cinestésica da pessoa idosa.

As doenças, consideradas, do envelhecimento, provocam na pessoa idosa sentimentos de vazio social, dependências - familiar, económica, social, cultural e política - e de exclusão social.
Toda esta problemática causa inúmeros sofrimentos ao idoso, contribuindo significativamente para a estigmatização, o isolamento e a exclusão social, levando-o à tristeza e depressão. Deprimido, aliena-se de tudo o que o rodeia, terminando na sua morte por isolamento familiar, espacial e sociocultural.

Para que "o mais velho" usufrua de uma melhor qualidade de vida - saúde física, psicológica e espiritual - urge estimulá-lo através de actividades psicomotoras (educação física), de estimulação cognitiva (leitura, música, pintura, etc.), técnicas de relaxamento e de meditação (o envelhecimento activo). Todas estas actividades optimizarão a auto-estima, a autoconfiança e a auto-imagem.

 O "cuidador de pessoas idosas", o gerontólogo, deverá estar munido de conhecimentos de artes expressivas, científicos, metodológicos, ergonómicos, tecnológicos, funcionais e éticos para proporcionar uma intervenção de qualidade a nível da dimensão cultural e social, da participação comunitária, do associativismo e dos aspectos pessoais e educativos.

* Doutor em Antropologia Social e Cultural, Mestre em Clínica de Saúde Mental e Diretor da Licenciatura em Gerontologia Social, na Escola Superior de Educação João de Deus.

Fonte: Jornal OJE
18/01/12