Qualidade
de vida
•A
percepção que o indivíduo tem de sua posição na vida dentro do contexto de sua
cultura e do sistema de valores de onde vive, e em relação a seus objetivos,
expectativas, padrões e preocupações. É um conceito muito amplo que incorpora
de uma maneira complexa a saúde física de uma pessoa, seu estado psicológico,
seu nível de dependência, suas relações sociais, suas crenças e sua relação com
características proeminentes no ambiente (OMS, 1994).
•Dignidade de Vida
•Princípio
da dignidade da pessoa humana é
um valor moral e espiritual inerente à pessoa, ou seja, todo ser humano é
dotado desse preceito.
•No reino
dos fins, tudo tem um preço ou uma dignidade. Quando uma
coisa tem
um preço, pode pôr-se, em vez dela, qualquer outra coisa como equivalente; mas
quando uma coisa está acima de todo o preço, e portanto não permite
equivalente, então ela tem dignidade
(Kant, 1991: 77).
Contudo é preciso ter em conta que o medidor relativo à qualidade e à dignidade são subjectivos.
A subjectividade na avaliação dos critérios:
- Cultural, histórico, social e pessoal.
- Varia de pessoa para pessoa, de sociedade para sociedade, a nível local e conforme o período temporal que tenha ocorrido.
Dois exemplos que ilustram bem a diferença entre ter qualidade de vida e dignidade de vida:
“Vivi no bairro de lata, sem apoios, sem nada, mas vivi com dignidade. “
“Sempre tive tudo, todas as mornomias e facilidade na minha vida. Mas tudo isso custou-me a minha liberdade e a condição de nunca falar em certos assuntos.”
Dignidade de Vida
O Conceito de dignidade de vida é subjectivo, difícil de atribuir uma definição clara e objectiva. Não se trata de uma verdade absoluta e o seu significado variar de pessoa para pessoa conforme vários motivos.
- O preço a pagar para se obter algo que se pretenda.
É uma guerra de valores, um dilema moral.
Ou há Passividade:
Aceitação, submissão, conformar com algo.
Ou há assertividade/agressividade:
Recusa, resignação, protesto e confronto
Critérios usados para a Qualidade de vida e Dignidade de Vida:
Os critérios considerados na atribuição do indicador de Qualidade de Vida:
- Educação
- Formação de base
- Actividade profissional
- Competências adquiridas
- Resiliência pessoal
- Optimismo
- Saúde
- Necessidades pessoais:
- caprichos, bens de necessidade primária, prioridades.
E os critérios usados na atribuição da Dignidade de Vida:
- Físico
- Psicológico
- Sociais
- Culturais
- Económicas
- Espirituais
Os medidores de Qualidade de Vida:
Os mais importantes são os seguintes:
- Short-form 36
- WHOQOL 100:
Tem em conta factores físicos, psicológicos, independência, relações sociais e ambiente.
- WHOQOL _BREF: 26
- THE QLQ: sintomas físicos, psicológicos, Independência, relação social.
Para aceder ao seguinte medidor, consultar o seguinte link: http://www.ufrgs.br/psiq/whoqol84.html
O mais indicada para Idosos:
- WHOQOL – OLD
- Habilidade sensorial
- Autonomia
- Actividades presentes e futura
- Participação social
- Intimidade
- Receios
Para consultar tal instrumento, aceder ao seguinte link: http://www.ufrgs.br/psiq/WHOQOL-OLD.pdf
Qualidade de Vida e Dignidade de Vida:
São ambos importantes, contudo o medidor de qualidade de vida sobrepoe-se ao da diginidade humana, ficando este em segundo plano. Um ser humano só se sente realizado em vários campos quando a sua dignidade é respeitada.
Um sujeito pode ter qualidade de vida e sentir-se com pouca dignidade de vida como pode acontecer o oposto.
A base para uma boa vida é sentir-se bem conosco e com os que nos rodeam, sentir-nos respeitados e conseguir atingir os nossos objectivos e ambições pessoais, assim como conseguir superar os desafios propostos da nossa vida sem sucesso.
Estar bem com a vida
- Repensar os seus objectivos e ponderar se determinado objectivo vale a pena pagar esse tal preço
- Ter amor próprio, respeito por si próprio
- Ter em conta o tamanho do nosso Ego e saber prever consequências
- Ter um comportamento assertivo, evitar a passividade a não ser que a submissão seja um abrigo provisório para algo melhor a longo prazo
A qualidade de vida tem um preço, a dignidade não
“Vivi no bairro de lata, sem apoios, sem nada, mas vivi com dignidade. “
Para o idoso que se revê nas palavras anteriores:
- Preocupação com as despesas, pois o factor económico é reduzido, sendo preciso uma ginástica e minuciosa gestão do orçamento mensal
- Continuar a desfrutar dos pequenos prazeres da vida, as pequenas alegrias, dar valor a pequenos gestos
- Partilhar a sua alegria e boa disposição com os mais jovens promovendo a intergeracionalidade
“Sempre tive tudo, todas as mornomias e facilidade na minha vida. Mas tudo isso custou-me a minha liberdade e a condição de nunca falar em certos assuntos.”
Para o idoso que se revê nas palavras anteriores:
- Renunciar aos prazeres e dedicar-se mais aos outros.
- Dar mais valor aos outros e menos aos objectos e status
- Deixar de lado as regras de etiqueta sociais e respeitar realmente alguém, estabelecendo uma empatia com alguém que não pertenca a sua classe social
- Reflectir se vale a pena ter tudo e no fundo não ter nada, pois toda aquela qualidade de vida foi sinónimo de submissão e omissão e negação de vários comportamentos, pensamentos e ambições próprias
- Nunca é tarde para mudar de estilo de vida
Artigo realizado por Pedro Simões, aluno de Gerontologia Social
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