quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A Qualidade de vida e dignidade de vida do Idoso


Qualidade de vida
A percepção que o indivíduo tem de sua posição na vida dentro do contexto de sua cultura e do sistema de valores de onde vive, e em relação a seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações. É um conceito muito amplo que incorpora de uma maneira complexa a saúde física de uma pessoa, seu estado psicológico, seu nível de dependência, suas relações sociais, suas crenças e sua relação com características proeminentes no ambiente (OMS, 1994).

Dignidade de Vida
Princípio da dignidade da pessoa humana é um valor moral e espiritual inerente à pessoa, ou seja, todo ser humano é dotado desse preceito.
No reino dos fins, tudo tem um preço ou uma dignidade. Quando uma coisa tem um preço, pode pôr-se, em vez dela, qualquer outra coisa como equivalente; mas quando uma coisa está acima de todo o preço, e portanto não permite equivalente, então ela tem dignidade
(Kant, 1991: 77).
Contudo é preciso ter em conta que o medidor  relativo à qualidade e à dignidade são subjectivos.
A subjectividade na avaliação dos critérios:
  • Cultural, histórico, social e pessoal. 
  • Varia de pessoa para pessoa, de sociedade para sociedade, a nível local e conforme o período temporal que tenha ocorrido.

Dois exemplos que ilustram bem a diferença entre ter qualidade de vida e dignidade de vida:


“Vivi no bairro de lata, sem apoios, sem nada, mas vivi com dignidade. “


“Sempre tive tudo, todas as mornomias e facilidade na minha vida. Mas tudo isso custou-me a minha liberdade e a condição de nunca falar em certos assuntos.” 


Dignidade de Vida


O Conceito de dignidade de vida é subjectivo, difícil de atribuir uma definição clara e objectiva. Não se trata de uma verdade absoluta e o seu significado variar de pessoa para pessoa conforme vários motivos.


  • O preço a pagar para se obter algo que se pretenda. 
É uma guerra de valores, um dilema moral.

Ou há Passividade:
Aceitação, submissão, conformar com algo.

Ou há assertividade/agressividade:
 Recusa, resignação, protesto e confronto


Critérios usados para a Qualidade de vida e Dignidade de Vida:

Os critérios considerados na atribuição do indicador de Qualidade de Vida:

  • Educação 
  • Formação de base 
  • Actividade profissional 
  • Competências adquiridas 
  • Resiliência pessoal
  • Optimismo 
  • Saúde
  • Necessidades pessoais:
  • caprichos, bens de necessidade primária, prioridades. 

E os critérios usados na atribuição da Dignidade de Vida:

  • Físico
  • Psicológico
  • Sociais
  • Culturais
  • Económicas 
  • Espirituais
Os medidores de Qualidade de Vida:
Os mais importantes são os seguintes:

  • Short-form 36 
  • WHOQOL 100: 
Tem em conta factores físicos, psicológicos, independência, relações sociais e ambiente.
  • WHOQOL _BREF: 26 
  • THE QLQ: sintomas físicos, psicológicos, Independência, relação social. 
Para aceder ao seguinte medidor, consultar o seguinte link: http://www.ufrgs.br/psiq/whoqol84.html

 
O mais indicada para Idosos:
  • WHOQOL – OLD

  • Habilidade sensorial
  • Autonomia
  • Actividades presentes e futura
  • Participação social
  • Intimidade
  • Receios
Para consultar tal instrumento, aceder ao seguinte link: http://www.ufrgs.br/psiq/WHOQOL-OLD.pdf

Qualidade de Vida e Dignidade de Vida:

São ambos importantes, contudo o medidor de qualidade de vida sobrepoe-se ao da diginidade humana, ficando este em segundo plano. Um ser humano só se sente realizado em vários campos quando a sua dignidade é respeitada. 

Um sujeito pode ter qualidade de vida e sentir-se com pouca dignidade de vida como pode acontecer o oposto. 

A base para uma boa vida é sentir-se bem conosco e com os que nos rodeam, sentir-nos respeitados e conseguir atingir os nossos objectivos e ambições pessoais, assim como conseguir superar os desafios propostos da nossa vida sem sucesso.

Estar bem com a vida

  • Repensar os seus objectivos e ponderar se determinado objectivo vale a pena pagar esse tal preço
  • Ter amor próprio, respeito por si próprio
  • Ter em conta o tamanho do nosso Ego e saber prever consequências 
  • Ter um comportamento assertivo, evitar a passividade a não ser que a submissão seja um abrigo provisório para algo melhor a longo prazo

A qualidade de vida tem um preço, a dignidade não

“Vivi no bairro de lata, sem apoios, sem nada, mas vivi com dignidade. “

Para o idoso que se revê nas palavras anteriores:
  • Preocupação com as despesas, pois o factor económico é reduzido, sendo preciso uma ginástica e minuciosa gestão do orçamento mensal
  • Continuar a desfrutar dos pequenos prazeres da vida, as pequenas alegrias, dar valor a pequenos gestos
  • Partilhar a sua alegria e boa disposição com os mais jovens promovendo a intergeracionalidade 



“Sempre tive tudo, todas as mornomias e facilidade na minha vida. Mas tudo isso custou-me a minha liberdade e a condição de nunca falar em certos assuntos.”

Para o idoso que se revê nas palavras anteriores:
  • Renunciar aos prazeres e dedicar-se mais aos outros. 
  • Dar mais valor aos outros e menos aos objectos e status
  • Deixar de lado as regras de etiqueta sociais e respeitar realmente alguém, estabelecendo uma empatia com alguém que não pertenca a sua classe social
  • Reflectir se vale a pena ter tudo e no fundo não ter nada, pois toda aquela qualidade de vida foi sinónimo de submissão e omissão e negação de vários comportamentos, pensamentos e ambições próprias
  • Nunca é tarde para mudar de estilo de vida

Artigo realizado por Pedro Simões, aluno de Gerontologia Social









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