segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Declaração Universal dos Direitos Humanos

 

Preâmbulo

Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo;
Considerando que o desconhecimento e o desprezo dos direitos do Homem conduziram a actos de barbárie que revoltam a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta inspiração do Homem;
Considerando que é essencial a proteção dos direitos do Homem através de um regime de direito, para que o Homem não seja compelido, em supremo recurso, à revolta contra a tirania e a opressão;
Considerando que é essencial encorajar o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações;
Considerando que, na Carta, os povos das Nações Unidas proclamam, de novo, a sua fé nos direitos fundamentais do Homem, na dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres e se declaram resolvidos a favorecer o progresso social e a instaurar melhores condições de vida dentro de uma liberdade mais ampla;
Considerando que os Estados membros se comprometeram a promover, em cooperação com a Organização das Nações Unidas, o respeito universal e efectivo dos direitos do Homem e das liberdades fundamentais;
Considerando que uma concepção comum destes direitos e liberdades é da mais alta importância para dar plena satisfação a tal compromisso:
A Assembléia Geral proclama a presente Declaração Universal
dos Direitos Humanos
como ideal comum a atingir por todos os povos e todas as nações, a fim de que todos os indivíduos e todos os orgãos da sociedade, tendo-a constantemente no espírito, se esforcem, pelo ensino e pela educação, por desenvolver o respeito desses direitos e liberdades e por promover, por medidas progressivas de ordem nacional e internacional, o seu reconhecimento e a sua aplicação universais e efectivos tanto entre as populações dos próprios Estados membros como entre as dos territórios colocados sob a sua jurisdição.

Artigo 1°

Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.

Artigo 2°

Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação. Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autônomo ou sujeito a alguma limitação de soberania.

Artigo 3°

Todo indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Artigo 4°

Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos.

Artigo 5°

Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.

Artigo 6°

Todos os indivíduos têm direito ao reconhecimento, em todos os lugares, da sua personalidade jurídica.

Artigo 7°

Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual protecção da lei. Todos têm direito a protecção igual contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.

Artigo 8°

Toda a pessoa tem direito a recurso efectivo para as jurisdições nacionais competentes contra os actos que violem os direitos fundamentais reconhecidos pela Constituição ou pela lei.

Artigo 9°

Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado.

Artigo 10°

Toda a pessoa tem direito, em plena igualdade, a que a sua causa seja equitativa e publicamente julgada por um tribunal independente e imparcial que decida dos seus direitos e obrigações ou das razões de qualquer acusação em matéria penal que contra ela seja deduzida.

Artigo 11°

  1. Toda a pessoa acusada de um acto delituoso presume-se inocente até que a sua culpabilidade fique legalmente provada no decurso de um processo público em que todas as garantias necessárias de defesa lhe sejam asseguradas.
  2. Ninguém será condenado por acções ou omissões que, no momento da sua prática, não constituíam acto delituoso à face do direito interno ou internacional. Do mesmo modo, não será infligida pena mais grave do que a que era aplicável no momento em que o acto delituoso foi cometido.

Artigo 12°

Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda a pessoa tem direito a protecção da lei.

Artigo 13°

  1. Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no interior de um Estado.
  2. Toda a pessoa tem o direito de abandonar o país em que se encontra, incluindo o seu, e o direito de regressar ao seu país.

Artigo 14°

  1. Toda a pessoa sujeita a perseguição tem o direito de procurar e de beneficiar de asilo em outros países.
  2. Este direito não pode, porém, ser invocado no caso de processo realmente existente por crime de direito comum ou por actividades contrárias aos fins e aos princípios das Nações Unidas.

Artigo 15°

  1. Todo o indivíduo tem direito a ter uma nacionalidade.
  2. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua nacionalidade nem do direito de mudar de nacionalidade.

Artigo 16°

  1. A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm o direito de casar e de constituir família, sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião. Durante o casamento e na altura da sua dissolução, ambos têm direitos iguais.
  2. O casamento não pode ser celebrado sem o livre e pleno consentimento dos futuros esposos.
  3. A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção desta e do Estado.

Artigo 17°

  1. Toda a pessoa, individual ou colectiva, tem direito à propriedade.
  2. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua propriedade.

Artigo 18°

Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos.

Artigo 19°

Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e idéias por qualquer meio de expressão.

Artigo 20°

  1. Toda a pessoa tem direito à liberdade de reunião e de associação pacíficas.
  2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.

Artigo 21°

  1. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte na direcção dos negócios, públicos do seu país, quer directamente, quer por intermédio de representantes livremente escolhidos.
  2. Toda a pessoa tem direito de acesso, em condições de igualdade, às funções públicas do seu país.
  3. A vontade do povo é o fundamento da autoridade dos poderes públicos: e deve exprimir-se através de eleições honestas a realizar periodicamente por sufrágio universal e igual, com voto secreto ou segundo processo equivalente que salvaguarde a liberdade de voto.

Artigo 22°

Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social; e pode legitimamente exigir a satisfação dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis, graças ao esforço nacional e à cooperação internacional, de harmonia com a organização e os recursos de cada país.

Artigo 23°

  1. Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho e à protecção contra o desemprego.
  2. Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual.
  3. Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe permita e à sua família uma existência conforme com a dignidade humana, e completada, se possível, por todos os outros meios de protecção social.
  4. Toda a pessoa tem o direito de fundar com outras pessoas sindicatos e de se filiar em sindicatos para defesa dos seus interesses.

Artigo 24°

Toda a pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres, especialmente, a uma limitação razoável da duração do trabalho e as férias periódicas pagas.

Artigo 25°

  1. Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade.
  2. A maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozam da mesma protecção social.

Artigo 26°

  1. Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional dever ser generalizado; o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos em plena igualdade, em função do seu mérito.
  2. A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos do Homem e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento das actividades das Nações Unidas para a manutenção da paz.
  3. Aos pais pertence a prioridade do direito de escholher o género de educação a dar aos filhos.

Artigo 27°

  1. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar no progresso científico e nos benefícios que deste resultam.
  2. Todos têm direito à protecção dos interesses morais e materiais ligados a qualquer produção científica, literária ou artística da sua autoria.

Artigo 28°

Toda a pessoa tem direito a que reine, no plano social e no plano internacional, uma ordem capaz de tornar plenamente efectivos os direitos e as liberdades enunciadas na presente Declaração.

Artigo 29°

  1. O indivíduo tem deveres para com a comunidade, fora da qual não é possível o livre e pleno desenvolvimento da sua personalidade.
  2. No exercício deste direito e no gozo destas liberdades ninguém está sujeito senão às limitações estabelecidas pela lei com vista exclusivamente a promover o reconhecimento e o respeito dos direitos e liberdades dos outros e a fim de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar numa sociedade democrática.
  3. Em caso algum estes direitos e liberdades poderão ser exercidos contrariamente e aos fins e aos princípios das Nações Unidas.

Artigo 30°

Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada de maneira a envolver para qualquer Estado, agrupamento ou indivíduo o direito de se entregar a alguma actividade ou de praticar algum acto destinado a destruir os direitos e liberdades aqui enunciados.
 
 
 
Por: Otília Rodrigues
 





domingo, 2 de dezembro de 2012

IDOSOS FOGEM DA HOLANDA COM MEDO DA EUTANÁSIA








Se o leitor estiver, ou for fazer Férias na Holanda com algum parente idoso ou doente e este passar mal, tome cuidado na hora de chamar uma ambulância:
 
Se discar o número errado, poderá receber a visita de uma “ambulância da morte”, encarregada de “eutanasiar” idosos ou doentes.

A eutanásia não desejada virou o pesadelo dos holandeses, informou a rádio oficial alemã Deustche Welle.
Muitos procuram novo asilo na cidade alemã de Bocholt, perto da fronteira, temerosos de serem mortos contra a própria vontade.
São quatro mil casos de eutanásia por ano, sendo um quarto sem aprovação do paciente.
 
 
O novo asilo na cidade alemã de Bocholt, perto da fronteira com a Holanda, foi ao encontro do desejo de muitos holandeses temerosos de que a própria família autorize a antecipação de sua morte. Eles se sentem seguros na Alemanha, onde a eutanásia tornou-se tabu depois que os nazistas a praticaram em larga escala, na Segunda Guerra Mundial, contra deficientes físicos e mentais e outras pessoas que consideravam indignas de viver.

A Holanda, que foi ocupada pelas tropas nazistas, ao contrário, é pioneira em medidas liberais inimagináveis na maior parte do mundo, como a legalização de drogas, prostituição, aborto,eutanásia e pasmem até a PEDOFILIA. O povo holandês foi o primeiro a ter o direito a morte abreviada e assistida por médicos. Mas o medo da eutanásia é grande entre muitos holandeses idosos.

Estudo justifica temores : Uma análise feita pela Universidade de Göttingen de sete mil casos de eutanásia praticados na Holanda justifica o medo de idosos de terem a sua vida abreviada a pedido de familiares. Em 41% destes casos, o desejo de antecipar a morte do paciente foi da sua família. 14% das vítimas eram totalmente conscientes e capacitados até para responder por eventuais crimes na Justiça.

Uma conseqüência imediata das interpretações permitidas foi uma grande perda de confiança de idosos da Holanda na medicina nacional. Por isso, eles procuram com maior freqüência médicos alemães, segundo Inge Kunz, da associação alemã Omega, que também é voltada para assistência a pacientes terminais e suas respectivas famílias.

A lei determina que a eutanásia só pode ser permitida por uma comissão constituída por um jurista, um especialista em ética e um médico. Na falta de um tratamento para melhorar a situação do paciente, o médico é obrigado a pedir a opinião de um colega.

Mas na prática a realidade é outra, segundo os críticos da eutanásia e o resultado da análise que a Universidade de Göttingen fez de sete mil casos de morte assistida na Holanda.
 
Fonte: www.dw.de/idosos-fogem-da-holanda-com-medo-da-eutan%C3%A1sia/a-1050812-1
Postado: Por Otília Rodrigues
 
Aluna da Escola Superior de Educação João de Deus
2ª ano de Gerontologia social

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Portugal Maior


Ruy de Carvalho, Senior



Palavra de Sénior de Ruy de Carvalho

Aos 85 anos, o ator faz uma belíssima reflexão sobre o envelhecimento



Ler mais: http://visao.sapo.pt/palavra-de-senior-de-ruy-de-carvalho=f698037#ixzz2Df4vDNqX

No ano em que celebra 70 anos de carreira, o ator foi condecorado com a Grã Cruz da Ordem do Infante D. Henrique
No ano em que celebra 70 anos de carreira, o ator foi condecorado com a Grã Cruz da Ordem do Infante D. Henrique
"Já não é tabu falar-se de velhice, assim como se perdeu o tino e a vergonha de se falar de tudo, como se, de repente, a opinião tivesse tomado o poder, e o poder da opinião passasse a ser uma declaração de guerra ao esquecimento e ao medo.
Mas infelizmente, o poder da opinião passou a ser o poder do adormecimento. Não há nenhum mecanismo da sociedade moderna que nos defenda deste alvoroço antigo, desta inquietação-inquietação, de que o instinto nos fala de mansinho sobre esta cerimónia silenciosa do passar dos dias. Passámos dos dias da mordaça para os tempos de uma democracia, onde todos participam... menos os mais velhos! Ou porque já trabalharam muito, ou porque merecem descansar, ou porque não servem para nada... ou ainda porque devem ser deixados morrer em paz.
No entanto, é neles que se reflecte tudo aquilo que verdadeiramente conquistámos. É nesta paisagem, em que falamos deles, dos mais velhos, como se fossem uma raça em extinção, que damos as mãos numa cerimónia silenciosa, na qual sistematicamente somos novos e cínicamente perplexos, a sugerir soluções inúteis, perante o engenhoso e piedoso invento, de que temos todos direito a uma morte digna.
Já não consigo passar por um jovem sem me perguntar, o que é que vai acontecer quando se lhe desfizer o feitiço da juventude?
 Que poder lhe vai ser dado para, a pouco e pouco, se ir aproximando da idade dos medos, do tempo em que os filhos o vão considerar inútil, do momento em que a sociedade o vota ao descanso, para reiniciar com outro jovem, porventura o filho ou o neto dele, um novo processo de tortura, de exploração da força vital, de ensino da paixão da guerra, da concorrência desmedida, dos divórcios, da falta de amor, da não perda de tempo, e da tomada do trono a qualquer preço.
Há uma estranha e subtil esperança de que, um dia, não tenhamos que sofrer o que fizemos aos nossos velhos. É curioso como a sociedade votou parte da sua vitalidade e paixão, a pintar esta maravilhosa aventura a que chamamos vida, com cores doces e conciliadoras, criando apetecíveis planos de reforma, sistemas infalíveis de segurança social e mecanismos de harmonia geriartrica, como quem se sente culpado, e remotamente põe a questão do eterno retorno. Deus não existe, dirão os cépticos, mas... e se estamos enganados?
Meus amigos, todos os sistemas são falaciosos e falíveis, se não existir o amor entre os homens.
E isto não é uma utopia, é uma verdade que todos nós conhecemos, mas que raramente pomos em prática. Estamos tão ocupados a servir de motor a esta sociedade, que quando nos retirarmos para a nossa ilha predilecta, que na maior parte dos casos, não passa de um corpo demasiado maduro e exausto, já não temos forças para advertir os jovens.
A morte acaba por premiar uns, eternizando-os, e condenar os restantes outros... (a esmagadora maioria), matando-os!
É nesse sentido que a maior parte de nós é condenada ao esquecimento sem nenhuma razão.
Por que será que escolhemos carregar a vida com descuido e com ódio, em vez de o fazermos com amor e com carinho?
Só que... neste tema que hoje aqui nos traz, a coisa é muito mais complexa. Ensinaram-nos que nos deitaremos, um dia, na cama que fizermos ao longo da vida...e nós aceitámos isso como um dogma da vida.
 Mas a verdade é que... no final, o amor que plantámos em vida será igual áquele que iremos colher na morte.
Disseram-nos que o que descontarmos, ser-nos-á devolvido em dobro na reforma. Deveria ser verdade, poque é justo que assim seja... mas não é! E o mais estranho é que não há ninguém que responsabilize alguém, pelo facto do nosso dinheiro ter sido sistematicamente mal governado e indevidamente gasto. É ridículo deixar que os governantes sejam penalizados apenas pelo voto. A falta de respeito por todos nós, mata mais do que a morte.
Aprendemos que o investimento mais seguro é aquele que se faz na família. Isso não é linear, porque nem sempre os nossos filhos comungam das dores da nossa velhice.
Então, o que é que está mal?
Será o trabalhar uma vida inteira à espera do descanso merecido?
Será o amar e sofrer por um causa, seja ela a família, um país, ou um ideal?
Será o sermos essa tal sociedade anónima que rege a apologia da esperança como um fantasma inquieto e febril, mostrando sempre o mesmo horizonte visual, o mesmo céu, onde apenas as nuvens variam, mas onde só elas vivem... inatingíveis?
Afeiçoámo-nos de tal forma ao ridículo da riqueza e da posse dos bens materiais, que remetemos a nossa velhice para uma boa reforma, um lar de terceira idade capaz, e um funeral de estadão, se possível com bandas militares e imagens na televisão, e permitimo-nos a que a nossa família conte os nossos tostões à espera dos sapatos do morto.
Entre o dia em que nos assumem como velhos, e o dia da partida, fica uma imensa solidão. Um empurra-empurra do avô para as diferentes casas dos filhos, umas visitas cada vez mais esporádicas aos lares, uns jogos de cartas no jardim do Príncipe Real, e um ténue olhar de amor, cada vez mais difuso daquele velho que nada mais tem para dar do que a sabedoria inerente ao seu estatuto de pessoa vivida e sábia, de quem não se quer ouvir a opinião, porque é quase sempre crua, dura, mordaz, verdadeira, simples e definitiva.
É por isso, que não se gosta dos velhos!
Para um velho nunca há dúvidas sobre quem vai tombar neste ou naquele confronto! Ás vezes com um sorriso desmonta discursos inteiros, naquele minuto em que, ao seu lado, irrequieto e distante, está o jovem neto, que remotamente se apercebe de quanta sabedoria trazem aqueles cabelos brancos.
E no entanto... são inseparáveis! Porquê?
Porque o velho tem a serenidade que só o amor contém, e a criança transborda de vida, daquela vida que ele tão bem conhece e que só deseja viver para proteger quem ama.
Não há avô que não conheça a saudade, que é a memória mais serena do amor.
O amor que une o avô e o neto é um rochedo cravado na terra, imune á acção destruidora da sociedade atormentada e do tempo. Não é preciso falarem. O silêncio dá-lhes força, força... que se chama respeito mútuo. No olhar de um, o bom senso, nos olhos do outro, o amigo de cabelo brancos que ele gostava tanto de ter na escola. É aqui que tudo começa, ou melhor, é aqui que tudo devia começar, porque é ali que as duas ingenuidades se tocam.  O fim de uma vida traz o conhecimento dos caminhos. A coragem e a amizade, formam um grande laço e um exemplo para todos os outros poderem viver a paz que nunca conheceram.
A Verdade não se demonstra: afirma-se!
Ou não fosse ela o produto da nossa experiência. Deus existe, de facto. E existe em tudo, desde a água aos campos minados, na criança, no velho, nos fios de prata onde lhes reconhecemos o tempo, o desgaste... e a sabedoria. Um velho é um apóstolo da Vida.
Então por que razão temos tanto medo de ser velhos?
Conhecer é um acto supremo religioso. É importante que se torne visível o respeito que devemos ter por aqueles que percorreram os caminhos que ainda temos pela frente. O amor pela vida que um simples velho contém, é uma fonte de esperança renovada, que pode fazer a diferença entre este mundo dito moderno, e o mundo que poderíamos ter tido, e não temos, porque não quisemos, ou não conseguimos ter
Se me permitem um último pensamento, queria deixar-vos como tema de meditação a ideia de que o olhar a velhice como um desterro, é tão absurdo como imaginar uma paisagem sem côr. É por isso que a ciência não satisfaz o homem. A sua área é restricta.
Respeite-se o seu imenso desejo de pesquisa, mas ensine-se-lhe que o sonho a ultrapassa facilmente, na sua avidez de infinito, de sentimento, de maturidade, de preenchimento interior. Magoa ver a velhice como o descanso do guerreiro, ou como a antecâmara da morte.
Todos nós, mais dia, menos dia, teremos de atravessar essa ponte pênsil e pouco segura, com um andar lento... e doloroso, com o olhar velado pela pouca vontade de sorrir e de dizer coisas bonitas.
Porquê fazê-lo com amargura, se à dôr física não podemos fugir?
Porquê fazê-lo com tristeza, apenas porque a falta de força física nos torna pesados.
Porquê fazê-lo sós, se temos tanta gente que nos pode ajudar a caminhar com dignidade para o outro lado, para a outra margem...  
Os fios de prata das nossas cabeças, são uma espécie de elegia ao nosso reencontro com a Mãe-natureza. De que serve baixar os olhos, se tudo à nossa volta não se cala?
A velhice é um mistério. Mas é dela que se alimentam os poetas... e as mais belas canções. Um simples fio de prata contém o maior dos enigmas da criação.
Como fugir a Deus, se a sua mão nos persegue, dentro e fora de nós, antes e depois de tudo? O que fizerem pelos velhos, estão a fazê-lo por todos nós.
O que fomos em novos, sê-lo-emos em velhos, e mesmo agora, o que deixarmos de fazer... e de dizer, faltará, por certo, no futuro."
RUY DE CARVALHO


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Tardes Maiores 8 Dezembro


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Projecto TIO » Manter o cérebro “jovem”



Muita gente encara a senilidade e a perda gradual de memória como processos irreversíveis e naturais do ser humano. Mas podem-se tomar algumas medidas, desde jovem, para evitar que a velhice traga esses problemas com tanta intensidade. O cérebro pode envelhecer mais lentamente se se souber o que fazer.
Muitas pessoas que atingem a casa dos 60 anos têm medo da doenç de Alzheimer. Sendo uma doença de raízes genéticas, não pode ser evitada e dependende do DNA de cada individuo. Mas a maior parte dos casos de demência que atingem a terceira idade tem muito pouco ou nada a ver com genética: são consequências diretas de certos hábitos de vida.
O senso comum criou a ideia, nas últimas décadas, de que a receita para manter o cérebro “jovem” é fazer atividades mentais como sudoku e palavras cruzadas. É um engano. O próprio coordenador do Instituto de Saúde Mental dos EUA, Majid Fotuhi, encarregou-se de desmentir isto.
O neurologista americano garante que a melhor maneira de manter a mente saudável é fazer o mesmo com o corpo. Manter-se em forma é o primeiro passo para garantir a longevidade cerebral. Ao lado disso, como explica o médico, é importante manter-se socialmente ativo, interagindo com outros grupos de pessoas. O Dr. Fotuhi pratica dança de salão desde a juventude, e recomenda esta atividade como uma das melhores para o objetivo.
Uma recente descoberta, recorrendo ao campo da ressonância magnética, revelou que o exercício constante pode literalmente fazer o cérebro crescer. O hipocampo cerebral geralmente começa a perder entre 1% e 2% de seu volume por ano a partir dos 50 anos. Mas a atividade física regular reduz sensivelmente esse encolhimento.
Uma pesquisa da Universidade de Illinois (EUA) comprovou isso, em um estudo com 120 adultos. Depois de um ano a exercitarem-se sob supervisão dos cientistas, os participante tiveram em média aumento de 2% do volume do hipocampo.
Os cientistas enfatizam, no entanto, que não é recomendável só começar a preocupar-se com quando se atinge a idade onde o ser humano está sujeito à demência. Quanto mais jovem se começar a trabalhar para evitar esse problema no futuro, melhores serão os resultados.


Fonte: CNN

Publicado Otilia Rodrigues






























terça-feira, 16 de outubro de 2012

O Modelo de Envelhecimento do Queijo Suiço



Esquema do Modelo de Envelhecimento do Queijo Suíço : 
Cada fatia de queijo é uma camada de resiliência, de protecção que temos contra o envelhecimento.
  Cada camada poderá ser mais espessa e mais vulnerável consoante variados factores.
Aqui fica o meu esquema do Modelo de envelhecimento:

Esquema feito por Pedro Simões
Aluno do 2º ano de Gerontologia Social da Escola Superior da Educação João de Deus

domingo, 14 de outubro de 2012

Proteger-se do Sol


MEDIDAS DE FOTOPROTECÇÃO:
 Na Praia:
 ● A reflexão dos raios solares sobre a areia é muito intensa (A reflexão será tanto maior quanto mais clara for a areia. Até à sombra os riscos não diminuem.);
● Evitar a exposição solar entre o período das 11h e das 17h;
● Preferir protectores solares resistentes à água com um índice igual ou superior a SPF 15. (Os raios ultravioletas atravessam a água até cerca de 30 metros);
● Colocar protector solar de duas em duas horas, e sempre, após cada banho de mar;
● Secar bem o corpo depois de tomar banho, uma vez que a pele molhada absorve cinco vezes mais a radiação;
● Use uma t-shirt (não deve estar molhada, por forma a não absorver os raios);
● Proteger os olhos com óculos de sol, cujas lentes tenham protecção UV. No Campo:
 ● Proteja-se mesmo quando está à sombra – eleja uma árvore frondente, em detrimento de um guarda-sol ou de um toldo branco, pois os raios ultra-violetas atravessam através destes;
 ● Proteja-se em dias encobertos (as nuvens, a neblina e o nevoeiro atenuam o calor, contudo, não evitam a passagem dos raios UV). A relva e a pedra têm um grande poder de reflexão solar.
● Use um chapéu, de preferência de abas largas, para proteger os olhos, nariz, orelhas e nuca;~
 ● Use óculos de sol. Na Montanha:
 ● Por cada 1000 metros de altitude os raios UV aumentam, à volta de, 20%.
● A neve recém caída reflecte cerca de 95% dos raios ultravioletas;
● Proteger-se com roupa em áreas específicas como: a nuca, os ombros e as coxas. Preferir as fibras naturais, visto absorverem a sudação;
● Renove a aplicação solar, pelo menos, a cada 2h.
● Não molhar a roupa, para se refrescar, porque a humidade deixa passar os raios ultravioletas;
● O uso de chapéu e óculos de sol é imprescindível.

teorias do envelhecimento


TEORIAS  DO  ENVELHECIMENTO

TEORIAS  BIOLÓGICAS
“As teorias biológicas definem o envelhecimento como um processo que, com o tempo, causa alterações nas células e tecidos corporais. Outras teorias biológicas explicam o processo de envelhecimento como resultado de interacções com o ambiente.”
                                                                                             Sally Roach
In “Introdução à Enfermagem Gerontológica”

TEORIA GENÉTICA
“A premissa desta teoria é que um mecanismo interno ou “relógio genético” determina a senilidade. As células são programadas para dividir um certo número de tempo. Quanto mais longo o ciclo de vida maior é o número de divisões celulares.”
Sally Roach
In “Introdução à Enfermagem Gerontológica”

TEORIA DOS RADICAIS LIVRES
A base desta teoria é a acumulação de produtos denominados radicais livres como resultado do uso do oxigénio nas células. (...) Embora muitos radicais livres tenham somente microssegundos de existência independente antes de se recombinarem com outros átomos, as formas transitórias podem iniciar muitos tipos de reações bioquímicas.”
Sally Roach
In “Introdução à Enfermagem Gerontológica”

TEORIA DA LIGAÇÃO CRUZADA
“Esta teoria afirma que o envelhecimento resulta de uma redução na divisão celular por um agente de ligação cruzada que prende-se ao filamento do ácido desoxirribonucleico (DNA), o material genético da célula, evitando que o DNA funcione normalmente. Quando ocorre a ligação cruzada, acontecem alterações no tecido colagenoso do corpo.
A ligação cruzada reduz a mobilidade e causa perda de elasticidade nos órgãos, resultando em alterações degenerativas. Os órgãos afetados são a pele, as paredes de vasos sanguíneos, o sistema musculoesquelético e as lentes dos olhos.”
                                                                                                                 Sally Roach
In “Introdução à Enfermagem Gerontológica”

TEORIA IMUNOLÓGICA
“A teoria imunológica afirma que o envelhecimento ocorre como resultado de uma redução na actividade do sistema imune. O sistema imune, particularmente as células T, protege o corpo contra as doenças (...). Após a fase de adulto jovem, o sistema imune declina. (...) A produção de células T reduz, e o corpo tem mais dificuldade de lutar contra a doença.”
                                                                                                                 Sally Roach
In “Introdução à Enfermagem Gerontológica”

TEORIA DO USO E DESGASTE
“A teoria do uso e desgaste afirma que o envelhecimento ocorre como resultado do uso normal do corpo e sistemas corporais. Com a idade, os sistemas exaurem-se e não agem com a totalidade de sua capacidade. (...)                                                                                                              
 Na teoria do uso e desgaste, algumas autoridades teorizam que cada pessoa é suprida com uma variedade de energia adaptativa, usada para o ajuste aos estressores pessoal e ambiental. À medida que a energia adaptativa declina, ocorre o envelhecimento, e quando esta energia não está mais disponível, o organismo morre.”
                                                                                                                 Sally Roach
In “Introdução à Enfermagem Gerontológica”

TEORIAS PSICOSSOCIAIS
“As teorias psicossociais tentam explicar o envelhecimento em termos da função cognitiva de uma pessoa, como a inteligência, a memória e as emoções (...). O envelhecimento é visto como uma interação entre a pessoa e sua função mental e ambiente físico.”
                                                                                                                 Sally Roach
In “Introdução à Enfermagem Gerontológica”

TEORIA DO "DESENGAJAMENTO"
 “A teoria do desengajamento vê o envelhecimento como um processo de afastamento da vida. Há o afastamento social do idoso e a pessoa isola-se da sociedade. (...) À medida que a pessoa idosa se afasta da vida social, os mais jovens assumem maiores responsabilidades e exercem papéis de liderança. Esta teoria é controversa, e a crítica aponta que muitos idosos não se desengajam da vida. Estes idosos permanecem activos, são membros produtivos da sociedade. Pessoas que se afastam, parecem fazê-lo por falta de opção, mas não como parte do processo de envelhecimento.”
                                                                                                                 Sally Roach
In “Introdução à Enfermagem Gerontológica”
TEORIA DA ACTIVIDADE
“A teoria da actividade afirma que a sociedade deve ter as mesmas expectativas em relação ao idoso que tem para com os adultos de meia-idade. (...) Na ocorrência de perdas associadas ao envelhecimento, elas devem ser substituídas por novos e diferentes papéis, interesses ou pessoas. (...) Mais e mais idosos estão recusando-se a aceitar estereótipos de que agem de acordo coma velhice. Eles têm uma vida activa, produtiva e alegre.
                                                                                                                 Sally Roach
In “Introdução à Enfermagem Gerontológica”
TEORIA DA CONTINUIDADE
“A teoria da continuidade, também conhecida como a teoria de desenvolvimento do envelhecimento porque lida com os padrões desenvolvimentais do indivíduo ao longo da vida. De acordo com esta teoria, o sucesso do envelhecimento depende da capacidade de cada um para manter-se e continuar os padrões de comportamento anteriores. (...) A personalidade e os padrões de comportamento básicos permanecem inalterados como progresso do envelhecimento.”
                                                                                                                 Sally Roach
In “Introdução à Enfermagem Gerontológica”
EM BUSCA DE UMA TEORIA COMUM
“Por muitos anos, cientistas têm estudado o envelhecimento, mas a causa exacta do processo de envelhecimento permanece um mistério. Nenhuma teoria explica todos os aspectos do envelhecimento. As diversas teorias parecem se inter-relacionar e podem optar por refutar alguma outra. É necessário mais pesquisa para se obter mais informações sobre este assunto complexo.”  
                                                                                                                 Sally Roach
In “Introdução à Enfermagem Gerontológica”
                                                                                                              

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

TESTAMENTO VITAL


 O que precisa de saber sobre o testamento vital, perguntas e respostas.




O testamento vital e o procurador de cuidados de saúde passam a ter de ser respeitados a partir de 16 de Agosto, data de entrada em vigor da nova lei. 
Por regulamentar fica ainda o registo nacional do testamento vital. Saiba o essencial sobre estes dois instrumentos que podem ser usados em caso de incapacidade de um doente.


O que é o testamento vital?
É uma directiva antecipada de vontade em matéria de cuidados de saúde. É um documento em que cada cidadão, maior de idade e capaz, pode manifestar a sua vontade sobre os cuidados de saúde que deseja ou não receber caso fique numa situação de incapacidade.

Quem pode fazer um testamento vital?
Qualquer pessoa maior de idade que não se encontre interdita ou inabilitada por anomalia psíquica e que esteja capaz de dar o seu consentimento consciente, livre e esclarecido.

O que é que o testamento vital pode dizer?

Podem constar do documento disposições que expressem a vontade clara e inequívoca do outorgante sobre:
• Não ser submetido a tratamento de suporte artificial das funções vitais;
• Não ser submetido a tratamento fútil, inútil ou desproporcionado ao seu quadro clínico e de acordo com as boas práticas profissionais, nomeadamente no que concerne às medidas de suporte básico de vida e às medidas de alimentação e hidratação artificiais que apenas visem retardar o processo natural de morte;
• Receber os cuidados paliativos adequados ao respeito pelo seu direito a uma intervenção global no sofrimento determinado por doença grave ou irreversível, em fase avançada, incluindo uma terapêutica sintomática apropriada;
• Não ser submetido a tratamentos que se encontrem em fase experimental;
• Autorizar ou recusar a participação em programas de investigação científica ou ensaios clínicos.

Como se faz?

O testamento vital tem de ser formalizado através de um documento escrito, assinado presencialmente perante funcionário devidamente habilitado do Registo Nacional do Testamento Vital ou notário. Nesse documento deve constar:
• a identificação completa do outorgante;
• o lugar, a data e a hora da sua assinatura;
• as situações clínicas em que as directivas antecipadas de vontade produzem efeitos;
• as opções e instruções relativas a cuidados de saúde que o outorgante deseja ou não receber, no caso de se encontrar em alguma das situações referidas.
Quem faz um testamento vital pode recorrer à colaboração de um médico para a elaboração das directivas antecipadas de vontade. Nesse caso, a identificação e a assinatura do médico podem constar no documento.

Quais são os limites do testamento vital?
Não pode ser contrário à lei, à ordem pública ou determinar uma actuação contrária às boas práticas. E o seu cumprimento não pode provocar deliberadamente a morte não natural e evitável.

O testamento vital pode não ser respeitado?

Sim, pode. A lei prevê algumas situações em que isso pode ocorrer: quando se comprove que o doente não desejaria manter a directivas ou se verifique evidente desactualização da vontade manifesta no testamento face ao progresso dos meios terapêuticos, entretanto verificado. Também não deve ser respeitado quando as circunstâncias não sejam aquelas que o outorgante previu no momento da sua assinatura.
Também em caso de urgência ou de perigo imediato para a vida do paciente, a equipa responsável pela prestação de cuidados de saúde não tem o dever de ter em consideração as directivas antecipadas de vontade, no caso de o acesso às mesmas poder implicar uma demora que agrave, previsivelmente, os riscos para a vida ou a saúde do outorgante.

Por quanto tempo é válido um testamento vital?
Por um prazo de cinco anos a contar da sua assinatura. Esse prazo é renovável mediante uma declaração de confirmação.

É possível alterar o testamento?

Sim. O testamento pode ser modificado ou mesmo revogado, em todo ou em parte, a qualquer momento. Sempre que seja feita uma modificação, é renovado o prazo de validade. 
O que é o procurador de cuidados de saúde?
É uma pessoa que pode representar outra quando esta estiver incapaz de expressar a sua vontade própria. Qualquer pessoa pode nomear um procurador de cuidados de saúde, atribuindo-lhe poderes representativos para decidir sobre os cuidados de saúde a receber ou não quando se encontrar incapaz de expressar a sua vontade pessoal e autonomamente.

E qualquer pessoa pode ser procurador de cuidados de saúde?
Não. Não podem ser procuradores os funcionários de registo e de cartório notarial que intervenham em actos regulados por esta lei e os proprietários e os gestores de entidades que administram ou prestam cuidados de saúde, a não ser que sejam familiares do outorgante. O procurador tem de ser maior de idade e não pode estar interdito ou inabilitado por anomalia psíquica.

Uma pessoa pode fazer testamento vital e ter ao mesmo tempo procurador?
Sim, pode. Em caso de conflito entre as disposições formuladas no testamento vital e a vontade do procurador de cuidados de saúde, prevalece a vontade do outorgante expressa naquele documento.

Estes documentos (testamento e procuração) podem ser públicos?
Não. Todos os que, no exercício das suas funções (médicos, funcionários dos registos, entre outros) que tomem conhecimento dos dados neles constantes ficam obrigados a observar sigilo profissional, mesmo após o termo das respectivas funções

16-08-2012   01:12

Otília Rodrigues - Licenciatura em Gerontologia Social - 1º ano turma GS
Escola Superior de Educação João de Deus





Cientistas portugueses descobrem origem da doença de Parkinson

Descoberta não se traduz numa cura a curto prazo, mas fornece novas pistas importantes para o desenvolvimento de novos fármacos. 13-08-2012 23:21 por Sérgio Costa




Um grupo de investigadores portugueses descobriu um novo mecanismo responsável pela origem de doença de Parkinson, que contraria as mais recentes teses científicas sobre a patologia.
O estudo, já publicado na revista "Human Molecular Genetics", demonstra que a deficiência no tráfego intracelular é provocada pela disfunção das mitocôndrias dos doentes, responsáveis pela produção de energia nas células.
Numa nota divulgada pela Universidade de Coimbra, os investigadores explicam tratar-se de uma conclusão que contraria os mais recentes estudos sobre a doença.
A descoberta não se traduz numa cura a curto prazo, mas fornece novas pistas importantes para o desenvolvimento de futuros fármacos que previnam a interrupção do normal transporte intracelular que está na origem da doença.
A investigação foi realizada com base em células de doentes com Parkinson e desenvolvida ao longo dos últimos quatro anos, com financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia.
A doença de Parkinson é uma doença degenerativa do sistema nervoso central. Manifesta-se  através de rigidez muscular, tremores, diminuição da mobilidade e instabilidade postural.
Afecta mais de quatro milhões de pessoas em todo o mundo.
16-08-2012    00:42
Otília Rodrigues- Licenciatura de Gerontologia Social
Turma GS 1º ano


A Qualidade de vida e dignidade de vida do Idoso


Qualidade de vida
A percepção que o indivíduo tem de sua posição na vida dentro do contexto de sua cultura e do sistema de valores de onde vive, e em relação a seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações. É um conceito muito amplo que incorpora de uma maneira complexa a saúde física de uma pessoa, seu estado psicológico, seu nível de dependência, suas relações sociais, suas crenças e sua relação com características proeminentes no ambiente (OMS, 1994).

Dignidade de Vida
Princípio da dignidade da pessoa humana é um valor moral e espiritual inerente à pessoa, ou seja, todo ser humano é dotado desse preceito.
No reino dos fins, tudo tem um preço ou uma dignidade. Quando uma coisa tem um preço, pode pôr-se, em vez dela, qualquer outra coisa como equivalente; mas quando uma coisa está acima de todo o preço, e portanto não permite equivalente, então ela tem dignidade
(Kant, 1991: 77).
Contudo é preciso ter em conta que o medidor  relativo à qualidade e à dignidade são subjectivos.
A subjectividade na avaliação dos critérios:
  • Cultural, histórico, social e pessoal. 
  • Varia de pessoa para pessoa, de sociedade para sociedade, a nível local e conforme o período temporal que tenha ocorrido.

Dois exemplos que ilustram bem a diferença entre ter qualidade de vida e dignidade de vida:


“Vivi no bairro de lata, sem apoios, sem nada, mas vivi com dignidade. “


“Sempre tive tudo, todas as mornomias e facilidade na minha vida. Mas tudo isso custou-me a minha liberdade e a condição de nunca falar em certos assuntos.” 


Dignidade de Vida


O Conceito de dignidade de vida é subjectivo, difícil de atribuir uma definição clara e objectiva. Não se trata de uma verdade absoluta e o seu significado variar de pessoa para pessoa conforme vários motivos.


  • O preço a pagar para se obter algo que se pretenda. 
É uma guerra de valores, um dilema moral.

Ou há Passividade:
Aceitação, submissão, conformar com algo.

Ou há assertividade/agressividade:
 Recusa, resignação, protesto e confronto


Critérios usados para a Qualidade de vida e Dignidade de Vida:

Os critérios considerados na atribuição do indicador de Qualidade de Vida:

  • Educação 
  • Formação de base 
  • Actividade profissional 
  • Competências adquiridas 
  • Resiliência pessoal
  • Optimismo 
  • Saúde
  • Necessidades pessoais:
  • caprichos, bens de necessidade primária, prioridades. 

E os critérios usados na atribuição da Dignidade de Vida:

  • Físico
  • Psicológico
  • Sociais
  • Culturais
  • Económicas 
  • Espirituais
Os medidores de Qualidade de Vida:
Os mais importantes são os seguintes:

  • Short-form 36 
  • WHOQOL 100: 
Tem em conta factores físicos, psicológicos, independência, relações sociais e ambiente.
  • WHOQOL _BREF: 26 
  • THE QLQ: sintomas físicos, psicológicos, Independência, relação social. 
Para aceder ao seguinte medidor, consultar o seguinte link: http://www.ufrgs.br/psiq/whoqol84.html

 
O mais indicada para Idosos:
  • WHOQOL – OLD

  • Habilidade sensorial
  • Autonomia
  • Actividades presentes e futura
  • Participação social
  • Intimidade
  • Receios
Para consultar tal instrumento, aceder ao seguinte link: http://www.ufrgs.br/psiq/WHOQOL-OLD.pdf

Qualidade de Vida e Dignidade de Vida:

São ambos importantes, contudo o medidor de qualidade de vida sobrepoe-se ao da diginidade humana, ficando este em segundo plano. Um ser humano só se sente realizado em vários campos quando a sua dignidade é respeitada. 

Um sujeito pode ter qualidade de vida e sentir-se com pouca dignidade de vida como pode acontecer o oposto. 

A base para uma boa vida é sentir-se bem conosco e com os que nos rodeam, sentir-nos respeitados e conseguir atingir os nossos objectivos e ambições pessoais, assim como conseguir superar os desafios propostos da nossa vida sem sucesso.

Estar bem com a vida

  • Repensar os seus objectivos e ponderar se determinado objectivo vale a pena pagar esse tal preço
  • Ter amor próprio, respeito por si próprio
  • Ter em conta o tamanho do nosso Ego e saber prever consequências 
  • Ter um comportamento assertivo, evitar a passividade a não ser que a submissão seja um abrigo provisório para algo melhor a longo prazo

A qualidade de vida tem um preço, a dignidade não

“Vivi no bairro de lata, sem apoios, sem nada, mas vivi com dignidade. “

Para o idoso que se revê nas palavras anteriores:
  • Preocupação com as despesas, pois o factor económico é reduzido, sendo preciso uma ginástica e minuciosa gestão do orçamento mensal
  • Continuar a desfrutar dos pequenos prazeres da vida, as pequenas alegrias, dar valor a pequenos gestos
  • Partilhar a sua alegria e boa disposição com os mais jovens promovendo a intergeracionalidade 



“Sempre tive tudo, todas as mornomias e facilidade na minha vida. Mas tudo isso custou-me a minha liberdade e a condição de nunca falar em certos assuntos.”

Para o idoso que se revê nas palavras anteriores:
  • Renunciar aos prazeres e dedicar-se mais aos outros. 
  • Dar mais valor aos outros e menos aos objectos e status
  • Deixar de lado as regras de etiqueta sociais e respeitar realmente alguém, estabelecendo uma empatia com alguém que não pertenca a sua classe social
  • Reflectir se vale a pena ter tudo e no fundo não ter nada, pois toda aquela qualidade de vida foi sinónimo de submissão e omissão e negação de vários comportamentos, pensamentos e ambições próprias
  • Nunca é tarde para mudar de estilo de vida

Artigo realizado por Pedro Simões, aluno de Gerontologia Social