segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Princípios das Nações Unidas para o Idoso




Direitos dos Idosos - Princípios das Nações Unidas para o Idoso

Resolução 46/91 – Aprovada na Assembleia Geral das Nações Unidas 16/12/1991

      INDEPENDÊNCIA
1.  Ter acesso à alimentação, à água, à habitação, ao vestuário, à saúde, a apoio familiar e comunitário.
2.  Ter oportunidade de trabalhar ou ter acesso a outras formas de geração de rendimentos.
3.  Poder determinar em que momento se deve afastar do mercado de trabalho.
4.  Ter acesso à educação permanente e a programas de qualificação e requalificação profissional.
5.  Poder viver em ambientes seguros adaptáveis à sua preferência pessoal, que sejam passíveis de  mudanças.
6.  Poder viver em sua casa pelo tempo que for viável.  
PARTICIPAÇÃO
7.  Permanecer integrado na sociedade, participar activamente na formulação e implementação de políticas que afectam directamente o seu bem-estar e transmitir aos mais jovens conhecimentos e habilidades.
8.  Aproveitar as oportunidades para prestar serviços à comunidade, trabalhando como voluntário, de acordo com seus interesses e capacidades.
9.  Poder formar movimentos ou associações de idosos.
ASSISTÊNCIA
10.  Beneficiar da assistência e protecção da família e da comunidade, de acordo com os seus valores culturais.
11.  Ter acesso à assistência médica para manter ou adquirir o bem-estar físico, mental e emocional, prevenindo a incidência de doenças.
12.  Ter acesso a meios apropriados de atenção institucional que lhe proporcionem protecção, reabilitação, estimulação mental e desenvolvimento social, num ambiente humano e seguro.
13.  Ter acesso a serviços sociais e jurídicos que lhe assegurem melhores níveis de autonomia, protecção e assistência
14. Desfrutar os direitos e liberdades fundamentais, quando residente em instituições que lhe proporcionem os cuidados necessários, respeitando-o na sua dignidade, crença e intimidade. Deve desfrutar ainda do direito de tomar decisões quanto à assistência prestada pela instituição e à qualidade da sua vida.
AUTO-REALIZAÇÃO
15.  Aproveitar as oportunidades para o total desenvolvimento das suas potencialidades.
16.  Ter acesso aos recursos educacionais, culturais, espirituais e de lazer da sociedade.
DIGNIDADE
17.  Poder viver com dignidade e segurança, sem ser objecto de exploração e maus-tratos físicos e/ou mentais.
18.  Ser tratado com justiça, independentemente da idade, sexo, raça, etnia, deficiências, condições económicas ou outros factores.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Bioética - Suicídio Assistido - "Gerontologia Social"



Publicado por:
Otilia Rodrigues

A Circular Normativa nº 14 da Direcção Geral de Saúde, de 13 de Julho de 2004, apresenta o Programa Nacional de Cuidados Paliativos, integrado no Plano Nacional de Saúde 2004-2010, e aprovado em 15 de Junho de 2004 por Despacho de Sua Excelência o Senhor Ministro da Saúde.
O que são?
Cuidados Paliativos são os cuidados activos e integrais prestados, por equipa multidisciplinar, aos doentes e sua família, em situação de doença avançada, incurável e progressiva e/ou com intenso sofrimento, com vista à redução e prevenção do mesmo. Procuram atender às necessidades físicas, psicológicas, sociais, espirituais e emocionais e estendem-se ao suporte no luto (adaptado de Organização Mundial de Saúde OMS 2002 e do Programa Nacional de Cuidados Paliativos PNCP 2004).
Acções Paliativas são as medidas terapêuticas sem intuito curativo, que visam minorar, em internamento ou no domicílio, as repercussões negativas da doença sobre o bem-estar global do doente, nomeadamente em situação de doença irreversível ou crónica progressiva.
 Âmbito
Os Cuidados Paliativos destinam-se aos doentes na fase mais avançada de doença oncológica, SIDA, demências, doenças neurológicas degenerativas (do neurónio motor, esclerose múltipla e outras) e alguns grupos de doentes com insuficiência crónica de órgão (insuficiência cardíaca, insuficiência respiratória, doença cerebrovascular). Não contemplam a totalidade destes doentes, mas aqueles que têm doença activa, progressiva, com prognóstico de vida limitado, com sintomas intensos e variados, acima do habitual, nos domínios físico, psicológico, social ou espiritual. Poderão também ser úteis em doentes que, apesar de em processo curativo, apresentem, por via da gravidade da sua doença e/ou intensidade dos tratamentos sofridos, um quadro de sofrimento de grande complexidade.
Não se destinam a doentes em processo de doença aguda, a doentes crónicos em recuperação ou convalescença, com doença ou incapacidades estabilizadas de longa duração, ou doentes que apenas necessitem de "residência assistida".

 Quando e durante quanto tempo os doentes podem beneficiar de cuidados paliativos?
Os cuidados paliativos dirigem-se prioritariamente à fase final da vida, mas não se destinam, apenas, aos doentes agónicos. Muitos doentes necessitam de ser acompanhados durante semanas, meses ou, excepcionalmente, antes da morte.
Como é que são prestados os cuidados paliativos?
As unidades de cuidados paliativos podem prestar cuidados em regime de internamento ou domiciliário e abrangem um leque variado de situações, idades e doenças.
Os cuidados paliativos proporcionam aos doentes que vão morrer a possibilidade de receberem cuidados num ambiente apropriado, que promova a protecção da dignidade do doente incurável na fase final da vida.

Direcção-Geral da Saúde - www.dgs.pt

http://www.hsm.min-saude.pt/Default.aspx?tabid=1506&MenuActiv

Publicado por:
Otília Rodrigues
Aluna da Escola Superior de Educação João de Deus
Licenciatura de Gerontologia Social

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A Animação nas Instituições


Definimos a Animação de Idosos como a maneira de actuar em todos os campos do desenvolvimento da qualidade de vida dos mais velhos, sendo um estimulo permanente da vida mental, fisica e afectiva da pessoa Idosa.

O trabalho de Animação é ainda mais complexo quando se trata de idosos institucionalizados em lares, centros de dia e centros de convívio. Luís Jacob defende que a Animação de Idosos começa  quando respeitamos os mais elementares dos seus direitos, como sejam o direito à escolha, o direito à privacidade e o direito à integração e à participação activa. Esta pode contribuir para o cuidado do idoso e para a melhoria da sua qualidade de vida, cria acontecimentos, que alteram a rotina diária e ao fazer as pessoas conviverem umas com as outras, causa uma diminuição efectiva da conflitualidade. A Animação ligada às artes plásticas e  à motricidade faz com que os idosos melhorem ou mantenham a sua autonomia e capacidade de movimento. È muito importante a presença de um Animador nestas instituições.
Este deve trabalhar em colaboração com toda a equipa multidiscilinar e com as próprias familias dos idosos, no sentido de proporcionar uma vivência digna e de qualidade a todos os utentes.
Visto que os idosos dispõem de muito tempo livre é necesário pensar na ocupação dos mesmos.
Assim a Animação dos Idosos contribui para uma acentuada melhoria do seu dia-a-dia, pretendo melhorar a qualidade devida destes e tornando-os mais activos. Simultaneamente deve ter como objectivo ajudar o Idoso a encarar o seu envelhecimento como um processo natural, de forma positiva e adequada, e a reconhecer a necessidade da manutenção das actividades fisicas e motoras.
Podemos dividir a Animação em sete partes: Animação Fisica ou Motora, Animação Cognitiva, Animação através da Expressão Plástica, Animação através da Comunicação, Animação associada ao Desenvolvimento Pessoal e Social, Animação Comunitária e Animação Lúdica.
Tendo em conta os aspectos anteriormente referidos, podemos alegar que uma boa Animação deve dar resposta a diversos objectivos, visando:
  • ·         Promover a inovação e novas descobertas;
  • ·         Valorizar a formação ao longo da vida;
  • ·     Proporcionar uma vida mais harmoniosa, atractiva e dinâmica com a participação e envolvimento do idoso;
  • ·     Incrementar a ocupação adequada do tempo livre para evitar que o tempo de ócio seja alienante, passivo e despersonalizador;
  • ·       Rentabilizar os serviços e recursos comunitários para melhorar a qualidade de vida do idoso;
  • ·    Valorizar as capacidades, competências , saberes e cultura do idoso, aumentando a sua auto-estima e autoconfiança.

A grande maioria dos Idosos (85%) não estão institucionalizados e é preciso desenvolver estratégias para chegar a este público, como são as Universidades Seniores,o Turismo Sénior, o trabalho de Voluntariado, a Animação das comunidades, as práticas intergeracionais, etc. Com isso, o papel do animador consiste, fundamentalmente, em desenvolver a auto-estima, a confiança e a personalidade dos participantes, fazem com que estes tomem a iniciativa de levar a cabo actividades sociais, culturais e educativas,entre outras; criar um dinamismo comunitário que reforce o tecido social e as redes sociais; e, ainda, despertar o interesse, nos particiantes, por uma formação permanentes.

Concluindo, o Animador deve “promover, estimular,animar, despertar interesses, incitar à acção…, enfim, fazer surgir potencialidades latentes em indivíduos, grupos e comunidades” (Ander-Egg, 2000:81)


A Animadora Sociocultural e aluna do curso de Gerontologia Social
Soraia Soares

Boas Notícias - Oeiras


Mais boas notícias !

Com o início de um novo ano torna-se sempre positivo fazer uma pequena retrospectiva e pensar no muito (pouco) que o nosso país fez pelos nossos “maiores”. Numa altura em que boas notícias (quase que) não existem e as únicas palavras que ouvimos diariamente são “crise” e “austeridade” (sendo esta última até elegida como a palavra que define o ano) vemos quase que obrigados a procurar por uma réstia de esperança (sendo esta também elegida como a segunda palavra que define o ano)que nos dê alguma motivação e credibilidade para um mundo melhor e, principalmente, para um futuro promissor para nós e os nossos velhos.
É importante referir que como moradora do concelho de Oeiras vou escrever  sobre o apoio que este tem proporcionado aos seniores e até a referência que já tem feito ao Envelhecimento Activo, preconizado pela Organização das Nações Unidas e muito estudado por nós.
Felizmente Oeiras tem desenvolvido inúmeras obras e projectos para os nossos seniores. Finalmente consciencializou-se de que temos um país envelhecido e podemos observar isso lendo o boletim municipal, que passo a citar, “A melhoria das condições sociais e económicas das populações, os progressos da medicina e no acesso à saúde, a alteração dos estilos de vida, entre outros factores, têm vindo a contribuir para o prolongamento da duração da vida humana, conduzindo ao envelhecimento populacional. Este facto é inegável e Oeiras não é excepção”. Como resposta a este fenómeno populacional, Oeiras está a reforçar as redes de apoio aos “maiores” e a construir quatro novas estruturas que se irão juntar já aos 41 lares de idosos, 28 centros de dia e de convívio e 18 serviços de apoio domiciliário. Estas quatro novas construções têm como objectivo comum proporcionar serviços permanentes e adequados à condição biopsciossocial da pessoa idosa e, em simultâneo, priveligiar a interacção tanto com a família como com a comunidade. Já o Lar da Fundação Belchior Carneiro é destinado a idosos sem condições para permanecer na sua residência, tendo os irmãos e ex – irmãos da Santa Casa de Misericórdia de Macau, alguma prioridade. Além disso, estas novas construções procuram também privilegiar os espaços verdes e a mobilidade, com espaços informais em torno do edifício.
Voltando um pouco mais atrás no tempo, Oeiras em 2008, no Bairro Municipal de Outurela, construiu a Unidade Residencial Madre Maria Clara, que é caracterizada por pertencer a um novo modelo de promoção e manutenção da autonomia, tendo como princípio o direito a uma vida com dignidade. Além disto, é destinada a idosos isolados com escassos recursos que partilham 60 apartamentos com espaços e serviços de utilização comum.
Com este alargamento da rede de apoio à população idosa, surgem então 175 vagas em lar de idosos, 100 vagas em centro de dia e 80 vagas de serviço de apoio domiciliário. Citando mais uma vez o boletim municipal “fomentando, deste modo, a coesão social e o bem – estar da população, através da promoção do trabalho em rede e de um grande investimento por parte do Município, que demonstra, uma vez mais, que a idade maior é uma das áreas de âmbito social que mais atenção tem merecido por parte da edilidade.”
Para concluir, vou apenas fazer referência a três programas que surgem com o paradigma do envelhecimento activo: Programa de Actividade Física +55, os Encontros de Outubro e Programa de Turismo Sénior.
É bom quando vemos que a nossa autarquia investe tanto no nosso futuro como no dos nossos. 


Inês Brandão


Bibliografia

Oeiras Actual, Boletim Municipal; Ago e Set’11; nº 212
http://www.cm-oeiras.pt/amunicipal/OeirasProjecta/Equipamentos/EmProjecto/Paginas/ResidenciasTerceiraIdade.aspx

Boas Notícias - Cientistas rejuvenescem células nos idosos


Cientistas rejuvenescem células de idosos

Cientistas rejuvenescem células de idosos
Um grupo de cientistas franceses conseguiu transformar, com sucesso, células de pacientes idosos – todos com mais de 90 anos de idade – em células estaminais idênticas às que se encontram nos embriões humanos. A investigação foi publicada na revista Genes & Development.

Os cientistas, liderados por Jean-Marc Lemaître da University of Montpellier, acreditam que, se estas células forem transplantadas com sucesso para doentes idosos, podem abrir o caminho para cura de várias doenças relacionadas com o envelhecimento.
“Este é um novo paradigma do rejuvenescimento celular… a idade das células não é, definitivamente, uma barreira à sua reprogramação”, afirmou o investigador Jean-Marc Lemaître, em comunicado.
As células estaminais podem dar origem a a qualquer tipo de tecido do corpo humano e têm um enorme potencial na cura de órgãos e tecidos doentes. No entanto, a sua utilização na medicina é controversa uma vez que envolve a destruição de embriões humanos.

Embora já haja uma técnica para transformar células adultas em células com características semelhantes às células embrionárias – um processo conhecido por iPSC ("Induced pluripotent stem cells", células estaminais pluripotentes induzidas, em português) -, os cientistas acreditavam que as células senescentes (células idosas que perderam a capacidade de se auto-regenerar) não poderiam ser submetidas a esta técnica por estarem demasiado deterioradas.
Mas a pesquisa da universidade de Montpellier vem provar que mesmo as células de pessoas numa fase muito avançada de envelhecimento podem ser “reprogramadas”. Para isso, a equipa de Jean-Marc Lemaître adicionou novos ingredientes ao processo de rejuvenescimento das células adultas, invertendo os marcadores de envelhecimento.

Uma grande notícia para os nossos "maiores"!

Inês Brandão


Webgrafia:
http://boasnoticias.clix.pt/noticias_Cientistas-rejuvenescem-c%C3%A9lulas-de-idosos_10018.html

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Idosos morrem em casa


Nos últimos tempos, têm surgindo diversas notícias sobre idosos que morrem sozinhos na sua própria casa. Muitos deles, possuem família, no entanto, esta ou não tem tempo por causa do seu quotidiano ou moram longe ou simplesmente não quer saber dos idosos.

Este tipo de situações, como podemos constatar através das notícias, verifica-se mais nos centros urbanos, isto porque, os idosos vivem mais isolados, por vezes, em prédios antigos e praticamente desabitados, contudo, muitos deles, têm vizinhos próximos, mas estes não estão atentos nem sensibilizados para estes casos.

Já nos meios rurais, esta situação é inversa, já que o convívio é maior e quando não aparece algum idoso, os próprios habitantes da aldeia, dão por falta dele e vão em seu auxílio.

Como podemos observar, estas situações, geraram uma grande revolta por parte de algumas pessoas e muitas delas manifestaram a sua opinião.

Alice Matos, socióloga e investigadora da Universidade do Minho, que se tem dedicado ao estudo do envelhecimento da população, expressa a sua opinião à agência Lusa.

A socióloga refere e passo a citar: “Os idosos que aparecem mortos sozinhos na habitação são casos extremos de pessoas com uma rede social muito frágil ou inexistente”. Alice Matos considera que “a sociedade deve reflectir e organizar-se para evitar estas «situações intoleráveis”.

Relativamente aos idosos mortos em casa a socióloga adianta que continua a existir solidariedade familiar, “há situações em que estes laços são quebrados e acontecem estes casos graves”.

A investigadora da Universidade do Minho menciona o facto de muitos idosos terem família, mas esta não mora próxima do idoso ou tem uma vida atarefada. “De facto, as condições actuais explicam este tipo de situações”.

Para Alice Matos “a sociedade tem de reflectir e organizar-se de outra forma para evitar estas situações intoleráveis do ponto de vista humano”.

Defende também que o idoso não pode ser apoiado pela família, mas sim pelas redes sociais.”Temos de arranjar formas de solidariedade intergeracional”.

Mas, muitas vezes, os idosos apenas podem recorrer às refeições das instituições porque não têm como pagar as outras valências. Por outro lado, as instituições sociais também se debatem com grandes dificuldades.

Frisa que, “em Portugal, os idosos preferem viver em piores condições e com menos apoio do que num lar”, portanto, a solução não passa pela institucionalização do idoso, mas sim pela criação de “relações intergeracionais, nomeadamente jovens voluntários que apadrinhem um idoso”.

A socióloga diz que “As famílias de acolhimento também podiam ser uma solução, mas não funciona, como demonstrou o programa da Santa Casa da Misericórdia, que apenas resultou no Norte do país, onde existem mais de 1000 famílias a acolher idosos”.

Cabe à sociedade reflectir neste assunto e evitar que este tipo de situações aconteçam, mas os profissionais de saúde, nomeadamente os gerontólogos têm um papel fundamental no apoio aos idosos e podem até ajudar a prevenir estas situações.



Webgrafia :

Http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/idosos-mortes-sociedade-solidao-sociologa-tvi24/1321438-4071.html

30-01-12



Ana Ribeiro

Aluna do curso de Gerontologia Social




sábado, 11 de fevereiro de 2012

Abandono dos idosos!


Doenças provocam dependência nos mais velhos, e familiares dizem não ter condições para os receber. Só no Amadora-Sintra há 43 idosos internados que já tiveram alta .

O número de idosos abandonados nos hospitais não pára de aumentar. Só no Amadora-Sintra há 43 idosos - e também cinco crianças - que já tiveram alta clínica mas permanecem internados por "motivos sociais". No Hospital de São João, no Porto, os casos de "protelamento de alta" estão a aumentar desde o segundo trimestre do ano. E até o Hospital de Beja diz existir um "número crescente de famílias que se recusam a aceitar doentes dependentes".
São casos como os de idosos deixados nos serviços de urgência com o cartão de utente sobre o peito, familiares que "desaparecem" e não atendem os insistentes telefonemas feitos pelas assistentes sociais e vidas marcadas pela miséria e pelo abandono que acabam numa cama de hospital.
"Temos cada vez mais casos de famílias que não levam os doentes para casa. O ano passado foram 64 casos. Mas este ano há muitos mais", diz Cristina Nobre, assistente social no Hospital José Joaquim Fernandes, de Beja. "Quando o médico efectua a avaliação clínica e diz que um idoso pode fazer a sua reabilitação em casa, às vezes, com necessidade de algum tipo de apoio domiciliário, há famílias que se recusam a aceitar a decisão. Não levam os doentes e vão protelando a sua permanência no hospital o mais possível."
Para quem fica, o sentimento de abandono é indisfarçável. "Há pessoas que se sentem completamente desamparadas, nunca pensaram que os filhos ou outros familiares as pudessem deixar numa situação destas", refere Cristina Nobre. E acrescenta que existe "uma grande pressão" para o encaminhamento dos doentes para as unidades de convalescença ou de média e longa duração da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI), cuja resposta é insuficiente (ver texto nesta página).
"A população idosa apresenta na sua maioria situações de dependência que acarretam encargos muito significativos para qualquer família", explica fonte da Unidade de Acção Social do Hospital de São João. E revela a existência de uma dificuldade crescente para atender às solicitações de institucionalização em lar e apoio económico para "pagamento de prestadora de cuidados" a pessoas dependentes. Tudo isto, somado às dificuldades de reintegração no meio familiar, origina o aumento do número de doentes que continuam internados apesar de já não necessitarem de cuidados médicos.

Carla Silva

D.N 11-02-12

Envelhecimento demográfico


            O envelhecimento demográfico é o fenómeno mais relevante do século XXI nas sociedades desenvolvidas devido às suas implicações na esfera socio-económica, para além das modificações que se reflectem a nível individual e em novos estilos de vida.
            Consideram-se pessoas idosas os homens e as mulheres com idade igual ou superior a 65 anos, idade que em Portugal está associada à idade de reforma, que agora passou para os 67 anos. Quanto às designações, são utilizadas indiferentemente, pessoas idosas ou com 65 e mais anos, dado não existir nenhuma norma específica a nível nacional. O envelhecimento pode ser analisado sob duas grandes perspetivas: Individualmente, o envelhecimento assenta na maior longevidade dos indivíduos, ou seja, o aumento da esperança média de vida.
O envelhecimento demográfico, por seu turno, define-se pelo aumento da proporção das pessoas idosas na população total. Esse aumento consegue-se em detrimento da população jovem, e/ou em detrimento da população em idade ativa. Em Portugal, as alterações na estrutura demográfica estão bem patentes na comparação de idades em 1960 e 2000.
Entre 1960 e 2000 a proporção de jovens (0-14 anos) diminuiu de cerca de 37% para 30%.
Segundo a hipótese média de projeção de população mundial das Nações Unidas, a proporção de jovens continuará a diminuir, para atingir os 21% do total da população em 2050. Ao contrário, a proporção da população mundial com 65 ou mais anos regista uma tendência crescente, aumentando de 5,3% para 6,9% do total da população, entre1960 e 2000, e para 15,6% em 2050, segundo as mesmas hipóteses de projeção. De referir ainda que o ritmo de crescimento da população idosa é quatro vezes superior ao da população jovem.
Em consequência das diferentes dinâmicas regionais, e à semelhança do que se verifica no Mundo, também no território nacional a distribuição da população idosa não é homogénea.

Carla Silva
Actividades na Terceira Idade

A reforma é ansiada por uns e temida por outros. Dependendo da forma como cada pessoa encara esse acontecimento, a verdade é que o fim da actividade profissional leva a um dos maiores problemas sentidos na terceira idade: a falta de ocupação.
A idade da reforma pode ser uma altura extremamente proveitosa para um idoso.
Para isso existem algumas actividades com benefícios:
Benefícios de saúde:
ü Quando exerce actividades físicas, o idoso encontrará sempre uma forma de se exercitar, combatendo muitas das doenças típicas da velhice, actuando não só como agente de prevenção, mas também terapêutico para eventuais problemas já sentidos.
ü Consoante o tipo de actividade, poderá intervir em problemas de articulação, de mobilidade, mas sobretudo melhorando a circulação e o sistema cardíaco.
ü Uma vida mais activa, levará a um aumento do bem-estar e da qualidade de vida.
Benefícios sociais:
ü  É importante envolver-se em algumas actividades, o que permitirá conhecer e conviver com diferentes pessoas, partilhando experiências e vivências comuns.
Numa idade tão assolada pelo isolamento, participar em actividades com outras pessoas é a melhor forma de abrir um novo capítulo na página da vida dos idosos, que frequentemente alegam que “já viveram um pouco de tudo”.
Benefícios psicológicos:
ü  Como consequência dos dois pontos anteriores, o aumento do bem-estar físico e social levará a que o idoso se sinta bem consigo próprio e com a vida, descobrindo o prazer de viver.
ü   A depressão é um grave problema da terceira idade, e que a melhor forma de a combater, é mostrar que a vida ainda tem tanto para dar e gozar.

Existem alguns tipos de actividades e benefícios para os idosos na sua reforma.
As actividades físicas são vivamente recomendadas por médicos e terapeutas para todas as idades, mas ainda mais para a terceira idade. Seja no âmbito de tratar algum problema físico, ou no sentido de os prevenir, a variedade é grande, e sempre adaptadas a cada pessoa.
Por exemplo, o yoga sénior, trás benefícios claros em relação à mobilidade articular, permitindo melhorar o sistema cardiovascular e respiratório. Ao mesmo tempo que actua sobre o corpo, como é o objectivo do yoga, trabalha também o espírito, combatendo dessa forma a senilidade e estimulando a lucidez.
A ginástica, mais virada para o plano físico mas que acaba por ter, como consequência, efeitos psicológicos muito positivos.
A natação sénior, no sentido de promover o exercício físico de manutenção num ambiente apelativo e sereno.
Todas estas actividades terão ainda efeitos extremamente positivos na socialização e no convívio.
A terceira idade é uma excelente fase da vida para fazer umas férias prolongadas ou participar em excursões, passeios e caminhadas que o levam a locais de invulgar beleza e interesse.
Existe ainda uma infinidade de actividades ligadas à cultura, como por exemplo música, teatro, literatura. Todas as freguesias têm (no mínimo) uma associação cultural onde será recebido de braços abertos, e onde poderá partilhar experiências interessantes e enriquecedoras.
O importante é acreditar que não existe uma idade limite. Tenha 60, 70, 100 ou ainda mais anos de idade, nunca é tarde demais para começar e muito menos para continuar a fazer algo que gosta. As actividades adaptam-se a diferentes idades e estados de saúde, pelo que encontrará sempre algo ideal para si.


Vanessa António
Aluna do curso de Gerontologia Social

Webgrafia

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Fibras aumentar a longevidade de vida


Dieta rica em fibras pode prolongar a vida

Alimentação rica em fibras pode reduzir em 22% o risco de morte por doenças cardíacas e respiratórias


É esta a conclusão de uma  pesquisa feita pelo Instituto Nacional do Cancro dos Estados Unidos da América.
Segundo a equipa de pesquisa, as fibras procedem na:
  •  redução do risco de desenvolver doenças cardíacas,
  •  Prevenção de alguns tipos de cancro,
  •  Redução de diabetes; 
  • Combate à obesidade. 

As fibras ajudam:
  •  nos movimentos peristálticos; 
baixam os níveis:
  •  de colesterol,
  •  glicemia,
  •  e pressão arterial. 

Contribui para redução do:
  • Peso 
  • e Inflamações.

Segundo este estudo e genericamente falando, sem diferenciar sexos, idades e tipo de actividade física diária do indivíduo:

É recomendado o consumo de frutas, vegetais e grãos integrais ricos em fibras”
15 gramas de fibras para cada 1.000 calorias alimentares ao dia. 




Estudo realizado através de questionários:
Amostra: 388122 pessoas
Duração:9 anos


Ingestão de fibras diárias:
Homens: 13 a 29 gramas
Mulheres: 11 a 26 gramas

Falecimentos durante o periodo de tempo:
20.126 homens
11330 mulheres


Os que consumiam mais fibras apresentaram probabilidade de morte 22% mais baixa que os outros participantes. 

Risco de doenças respiratórias e cardiovasculares foi reduzido de 24% para 56% entre os homens que ingeriram mais fibras e de 34% para 59% entre as mulheres.

De salientar,que apenas as fibras dos grãos e não das frutas, foram associadas à redução dos riscos de morte.

Fibras de grãos integrais é algo que deve fazer efectivamente parte da Tabela de nutrimentos de cada um de nós. 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Cuidados a ter com os Pés: O Suporte do nosso corpo 

  • Observe diariamente os seus pés: a planta e o calcanhar;
  • Examine os dedos e os espaços entre estes;
  • Lave os pés, todos os dias, com água morna e um sabão neutro (pH5.5);
  • Verifique se tem alterações na pele (calos, cortes, bolhas, pele seca, fissuras, edemas, ou alterações na cor da pele);
  • Seque bem os pés e as zonas interdigitais (entre os dedos);
  • As calosidades devem ser removidas com alicate ou com a ajuda de uma lima, de preferência, de cartão;
  • Nos calos, não use calicidas nem outros produtos semelhantes;
  • Hidrate os pés (na planta e no dorso, e não nos espaços interdigitais);
  • Use meias de algodão e sem costuras;
  • Prefira sapatos macios de couro ou pele;
  • O salto deve ter 2 cm;
  • O calçado não deve ser demasiado apertado nem demasiado largo, por isso compre sapatos no final do dia;
  • Areje os sapatos, após os usar;
  • Concilie a moda com o conforto.

     UNHAS
  • Observar o estado das unhas (compridas, duras, regulares, lisas, quebradiças, limpas, sujas);
  • Verificar se existem lesões;
  • Utilize um alicate ou uma lima, para o corte;
  • Corte-as em linha recta, sem arredondar os cantos;
  • Não as deixe muito curtas;
  • Unhas fracas e quebradiças reflectem a falta de vitaminas A, C e E e minerais (ferro e cálcio);
  • O alicate e a lima são objectos pessoais e intransmissíveis.
       
      Marta Afonso de Albuquerque 
     Aluna do Curso de Gerontologia Social 


Bibliografia:

Berguer, Louise; Mailloux-Poirier, Danielle (1995). Pessoas Idosas: Uma abordagem global. Lisboa: Lusodidacta.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

As Quedas nos Idosos


As Quedas nos Idosos

Uma queda pode mudar a vida do idoso, pode ter consequências físicas importantes como fracturas ou lesões e algumas delas podem ser incapacitantes. Uma queda, por mais simples que seja, pode sempre causar problemas no estado psicológico tais como: depressão, medo, ansiedade…

Prevenir é a palavra de ordem mas para uma prevenção adequada é necessário conhecer os motivos mais frequentes que estão na base deste tipo de acidentes.
Os motivos pelos quais podem ocorrer quedas no dia-a-dia de um individuo idoso, podem assim ser divididos em dois tipos: intrínsecos e extrínsecos.

Nos motivos intrínsecos podem ser identificados vários factores degenerativos da condição física do idoso, tais como perda de equilíbrio, diminuição da força muscular associada aos músculos da locomoção ou ainda uma simples e natural perda gradual de visão e audição que poderão remeter novamente para as questões de equilíbrio.

Nos motivos extrínsecos, podem ser identificados todos os factores, espaços e objectos da vida do idoso e com os quais ele interaja no seu quotidiano, como sendo a disposição de determinados objectos ou mobília, o tipo de pavimento ou revestimento do chão ou de superfícies de apoio.

Os familiares e técnicos que intervêm na vida do idoso autónomo, têm um papel fundamental e uma vez que os idosos perdem gradualmente a noção do seu estado, são estes indivíduos que devem estar atentos à identificação dos motivos acima descritos.
Os familiares devem prestar atenção ao surgimento dos primeiros sinais físicos como pequenos desequilíbrios, pontuais faltas de força muscular, aumento da surdez ou perda gradual e não controlada da visão. A identificação prematura destes sinais pode ser fundamental para uma intervenção tão simples como a troca de óculos ou aparelho auditivo e a prática de exercício físico que no seu conjunto vão contribuir para um desaceleramento dos factores intrínsecos.

Por outro lado, os técnicos podem desempenhar um papel importante no que diz respeito aos factores extrínsecos, avaliando o meio envolvente do idoso, como o seu quarto, casa de banho, cozinha, pátio, entre outros identificando potenciais riscos. O técnico deve neste sentido aconselhar e reeducar o idoso a reorganizar o seu espaço de forma a que este se torne seguro e não uma armadilha para a sua condição por vezes mais debilitada.

De seguida podemos observar neste quadro resumo de algumas orientações que podem ser tomadas em consideração no que diz respeito aos factores extrínsecos.

Interruptores de Luz
Fácil localização e accionamento / Cor Contrastante
Portas
Largura mínima de 80cm, sem calhas e trancas de fácil abertura
Janelas
Acima dos 120cm do chão, com calhas deslizantes
Mobiliário
Pouca mobília e disposta de forma a criar espaços amplos, sem tapetes nem passadeiras
Casa de Banho
Piso antiderrapante, apoio dentro do duche, sanita e bidé
Quarto – Cama
Entre 45-50cm do chão, colchão semi-rígido e roupa de cama leve
Cozinha
Distribuição em L ou outra que permita o apoio durante o movimento e utensílios à distancia da mão

 Ainda na área da prevenção, o técnico deve ainda ser um formador para que o idoso saiba como comportar-se nas mais diversas situações de risco como subir e descer escadas (preferencialmente na diagonal), como levantar-se e deitar-se (deitar-se de costas para a mesma e levantar-se com o recurso às duas palmas das mãos sobre a cama), como vestir-se e despir-se (ter sempre pontos de apoio ou vestir-se sentado e utilizar peças de roupa largas e fáceis de vestir).

Se apesar de todos os esforços a queda acontecer, deve também ser ensinado aos idosos o que fazer e como reagir após uma queda:

Passo 1
Rodar sobre o próprio corpo até ficar de barriga para baixo.

Passo 2
Apoiar os joelhos até ficar de gatas. Procurar, com o olhar, um elemento de apoio firme e aproximar-se dele.

Passo 3
Apoiar firmemente as mãos no mesmo e tentar-se colocar de pé com a ajuda dos antebraços.

Passo 4
Uma vez de pé, descansar antes de voltar a andar.

Em qualquer situação de queda devem ser contactados de imediatos os serviços médicos de urgência para avaliarem a gravidade e consequências do acidente.

É nosso dever fazer tudo o que está ao nosso alcance para melhorar a qualidade de vida dos nossos maiores e isso passa também por não deixar que eles caiam, não só fisicamente mas em todas as outras valências desta expressão.

Ana Isabel Martins  Aluna do curso de Gerontologia Social



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