Nos últimos tempos,
têm surgindo diversas notícias sobre idosos que morrem sozinhos na sua própria
casa. Muitos deles, possuem família, no entanto, esta ou não tem tempo por
causa do seu quotidiano ou moram longe ou simplesmente não quer saber dos idosos.
Este tipo de
situações, como podemos constatar através das notícias, verifica-se mais nos
centros urbanos, isto porque, os idosos vivem mais isolados, por vezes, em
prédios antigos e praticamente desabitados, contudo, muitos deles, têm vizinhos
próximos, mas estes não estão atentos nem sensibilizados para estes casos.
Já nos meios rurais,
esta situação é inversa, já que o convívio é maior e quando não aparece algum
idoso, os próprios habitantes da aldeia, dão por falta dele e vão em seu
auxílio.
Como podemos
observar, estas situações, geraram uma grande revolta por parte de algumas
pessoas e muitas delas manifestaram a sua opinião.
Alice Matos,
socióloga e investigadora da Universidade do Minho, que se tem dedicado ao
estudo do envelhecimento da população, expressa a sua opinião à agência Lusa.
A socióloga refere e
passo a citar: “Os
idosos que aparecem mortos sozinhos na habitação são casos extremos de pessoas
com uma rede social muito frágil ou inexistente”. Alice Matos considera que “a sociedade
deve reflectir e organizar-se para evitar estas «situações intoleráveis”.
Relativamente aos idosos mortos em casa a socióloga adianta
que continua a existir solidariedade familiar, “há situações em que estes laços
são quebrados e acontecem estes casos graves”.
A investigadora da Universidade do Minho menciona o facto de
muitos idosos terem família, mas esta não mora próxima do idoso ou tem uma vida
atarefada. “De facto, as condições actuais explicam este tipo de situações”.
Para Alice Matos “a sociedade tem de reflectir e
organizar-se de outra forma para evitar estas situações intoleráveis do ponto
de vista humano”.
Defende também que o idoso não pode ser apoiado pela
família, mas sim pelas redes sociais.”Temos de arranjar formas de solidariedade
intergeracional”.
Mas, muitas vezes, os idosos apenas podem recorrer às
refeições das instituições porque não têm como pagar as outras valências. Por
outro lado, as instituições sociais também se debatem com grandes dificuldades.
Frisa que, “em Portugal, os idosos preferem viver em piores
condições e com menos apoio do que num lar”, portanto, a solução não passa pela
institucionalização do idoso, mas sim pela criação de “relações intergeracionais,
nomeadamente jovens voluntários que apadrinhem um idoso”.
A socióloga diz que “As famílias de acolhimento também
podiam ser uma solução, mas não funciona, como demonstrou o programa da Santa
Casa da Misericórdia, que apenas resultou no Norte do país, onde existem mais de
1000 famílias a acolher idosos”.
Cabe à sociedade reflectir neste assunto e evitar que este
tipo de situações aconteçam, mas os profissionais de saúde, nomeadamente os gerontólogos
têm um papel fundamental no apoio aos idosos e podem até ajudar a prevenir
estas situações.
Webgrafia :
Http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/idosos-mortes-sociedade-solidao-sociologa-tvi24/1321438-4071.html
30-01-12
Ana Ribeiro
Aluna do curso de Gerontologia Social
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