terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Idosos morrem em casa


Nos últimos tempos, têm surgindo diversas notícias sobre idosos que morrem sozinhos na sua própria casa. Muitos deles, possuem família, no entanto, esta ou não tem tempo por causa do seu quotidiano ou moram longe ou simplesmente não quer saber dos idosos.

Este tipo de situações, como podemos constatar através das notícias, verifica-se mais nos centros urbanos, isto porque, os idosos vivem mais isolados, por vezes, em prédios antigos e praticamente desabitados, contudo, muitos deles, têm vizinhos próximos, mas estes não estão atentos nem sensibilizados para estes casos.

Já nos meios rurais, esta situação é inversa, já que o convívio é maior e quando não aparece algum idoso, os próprios habitantes da aldeia, dão por falta dele e vão em seu auxílio.

Como podemos observar, estas situações, geraram uma grande revolta por parte de algumas pessoas e muitas delas manifestaram a sua opinião.

Alice Matos, socióloga e investigadora da Universidade do Minho, que se tem dedicado ao estudo do envelhecimento da população, expressa a sua opinião à agência Lusa.

A socióloga refere e passo a citar: “Os idosos que aparecem mortos sozinhos na habitação são casos extremos de pessoas com uma rede social muito frágil ou inexistente”. Alice Matos considera que “a sociedade deve reflectir e organizar-se para evitar estas «situações intoleráveis”.

Relativamente aos idosos mortos em casa a socióloga adianta que continua a existir solidariedade familiar, “há situações em que estes laços são quebrados e acontecem estes casos graves”.

A investigadora da Universidade do Minho menciona o facto de muitos idosos terem família, mas esta não mora próxima do idoso ou tem uma vida atarefada. “De facto, as condições actuais explicam este tipo de situações”.

Para Alice Matos “a sociedade tem de reflectir e organizar-se de outra forma para evitar estas situações intoleráveis do ponto de vista humano”.

Defende também que o idoso não pode ser apoiado pela família, mas sim pelas redes sociais.”Temos de arranjar formas de solidariedade intergeracional”.

Mas, muitas vezes, os idosos apenas podem recorrer às refeições das instituições porque não têm como pagar as outras valências. Por outro lado, as instituições sociais também se debatem com grandes dificuldades.

Frisa que, “em Portugal, os idosos preferem viver em piores condições e com menos apoio do que num lar”, portanto, a solução não passa pela institucionalização do idoso, mas sim pela criação de “relações intergeracionais, nomeadamente jovens voluntários que apadrinhem um idoso”.

A socióloga diz que “As famílias de acolhimento também podiam ser uma solução, mas não funciona, como demonstrou o programa da Santa Casa da Misericórdia, que apenas resultou no Norte do país, onde existem mais de 1000 famílias a acolher idosos”.

Cabe à sociedade reflectir neste assunto e evitar que este tipo de situações aconteçam, mas os profissionais de saúde, nomeadamente os gerontólogos têm um papel fundamental no apoio aos idosos e podem até ajudar a prevenir estas situações.



Webgrafia :

Http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/idosos-mortes-sociedade-solidao-sociologa-tvi24/1321438-4071.html

30-01-12



Ana Ribeiro

Aluna do curso de Gerontologia Social




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