As Quedas nos Idosos
Uma queda pode mudar a
vida do idoso, pode ter consequências físicas importantes como fracturas ou
lesões e algumas delas podem ser incapacitantes. Uma queda, por mais simples
que seja, pode sempre causar problemas no estado psicológico tais como:
depressão, medo, ansiedade…
Prevenir é a palavra de ordem
mas para uma prevenção adequada é necessário conhecer os motivos mais
frequentes que estão na base deste tipo de acidentes.
Os motivos pelos quais
podem ocorrer quedas no dia-a-dia de um individuo idoso, podem assim ser
divididos em dois tipos: intrínsecos e extrínsecos.
Nos motivos intrínsecos
podem ser identificados vários factores degenerativos da condição física do
idoso, tais como perda de equilíbrio, diminuição da força muscular associada
aos músculos da locomoção ou ainda uma simples e natural perda gradual de visão
e audição que poderão remeter novamente para as questões de equilíbrio.
Nos motivos extrínsecos,
podem ser identificados todos os factores, espaços e objectos da vida do idoso
e com os quais ele interaja no seu quotidiano, como sendo a disposição de
determinados objectos ou mobília, o tipo de pavimento ou revestimento do chão
ou de superfícies de apoio.
Os familiares e técnicos
que intervêm na vida do idoso autónomo, têm um papel fundamental e uma vez que
os idosos perdem gradualmente a noção do seu estado, são estes indivíduos que
devem estar atentos à identificação dos motivos acima descritos.
Os familiares devem
prestar atenção ao surgimento dos primeiros sinais físicos como pequenos desequilíbrios,
pontuais faltas de força muscular, aumento da surdez ou perda gradual e não
controlada da visão. A identificação prematura destes sinais pode ser
fundamental para uma intervenção tão simples como a troca de óculos ou aparelho
auditivo e a prática de exercício físico que no seu conjunto vão contribuir
para um desaceleramento dos factores intrínsecos.
Por outro lado, os
técnicos podem desempenhar um papel importante no que diz respeito aos factores
extrínsecos, avaliando o meio envolvente do idoso, como o seu quarto, casa de
banho, cozinha, pátio, entre outros identificando potenciais riscos. O técnico
deve neste sentido aconselhar e reeducar o idoso a reorganizar o seu espaço de
forma a que este se torne seguro e não uma armadilha para a sua condição por
vezes mais debilitada.
De seguida podemos
observar neste quadro resumo de algumas orientações que podem ser tomadas em
consideração no que diz respeito aos factores extrínsecos.
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Interruptores de Luz
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Fácil localização e accionamento / Cor Contrastante
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Portas
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Largura mínima de 80cm, sem calhas e trancas de
fácil abertura
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Janelas
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Acima dos 120cm do chão, com calhas deslizantes
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Mobiliário
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Pouca mobília e disposta de forma a criar espaços
amplos, sem tapetes nem passadeiras
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Casa de Banho
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Piso antiderrapante, apoio dentro do duche, sanita
e bidé
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Quarto – Cama
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Entre 45-50cm do chão, colchão semi-rígido e roupa
de cama leve
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Cozinha
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Distribuição em L ou outra que permita o apoio
durante o movimento e utensílios à distancia da mão
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Ainda na área da prevenção, o técnico deve
ainda ser um formador para que o idoso saiba como comportar-se nas mais
diversas situações de risco como subir e descer escadas (preferencialmente na
diagonal), como levantar-se e deitar-se (deitar-se de costas para a mesma e
levantar-se com o recurso às duas palmas das mãos sobre a cama), como vestir-se
e despir-se (ter sempre pontos de apoio ou vestir-se sentado e utilizar peças
de roupa largas e fáceis de vestir).
Se apesar de todos os
esforços a queda acontecer, deve também ser ensinado aos idosos o que fazer e
como reagir após uma queda:
Passo 1
Rodar sobre o próprio
corpo até ficar de barriga para baixo.
Passo 2
Apoiar os joelhos até
ficar de gatas. Procurar, com o olhar, um elemento de apoio firme e
aproximar-se dele.
Passo 3
Apoiar firmemente as
mãos no mesmo e tentar-se colocar de pé com a ajuda dos antebraços.
Passo 4
Uma vez de pé, descansar
antes de voltar a andar.
Em qualquer situação de
queda devem ser contactados de imediatos os serviços médicos de urgência para
avaliarem a gravidade e consequências do acidente.
É nosso dever fazer tudo
o que está ao nosso alcance para melhorar a qualidade de vida dos nossos
maiores e isso passa também por não deixar que eles caiam, não só fisicamente mas
em todas as outras valências desta expressão.
Ana Isabel Martins Aluna do curso de Gerontologia Social
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