segunda-feira, 12 de março de 2012

Aumento invulgar da mortalidade em Fevereiro de 2012



Aumento da mortalidade, fora do comum entre idosos, sobretudo os de idade superior a 75 anos de idade.

Como se explica este insólito?
 Em apenas uma semana, morreram mais de três mil pessoas?

Tabela nº1: Mortalidade semanal de 2010 a 2012:
No mês de Fevereiro de 2011 o valor é de 2500, no mesmo período de 2012 é de 3000 mortos. Quais os motivos?



Segundo Francisco George, da Direcção-Geral de Saúde explica que assistimos “um comportamento cíclico, marcadamente sazonal, relacionado com a disseminação do vírus da gripe tipo A mais comum, o H3N22”.

Por sua vez o ministro da saúde não especificou grandes detalhes, referindo também que este aumento está relacionado com o Inverno rigoroso: “São dados revelados pelo Instituto Ricardo Jorge, que faz a monotorização apertada destes casos de mortalidade. Há um aumento em termos homólogos e o instituto está a descer mais a fundo na monotorização para sabermos as causas, se é do frio anormal ou de outro tipo de situações”.

Como outras fontes entre quais a PSP, será que este Inverno foi assim tão duro ?
Temos que comparar dados. Vamos comparar o período de 2005, em que o clima foi semelhante ao presente, um Verão tardio, e um inverno rigoroso, com pouca precipitação e com temperaturas muito reduzidas. Mas também irei comparar os dados do ano anterior para confirmar que este número não está relacionado apenas com factores climatéricos.

2012:
Fevereiro de 2012, 

Em termos de precipitação foi bastante reduzido, pouco característico para Fevereiro, o
 que fez com que o país ficasse em seca, comprometendo a produção agrícola nacional.

Em termos de temperaturas, houve uma vaga de frio que fez 700 mortes na Europa e em Portugal não se pode afirmar com toda a certeza quem já perdeu a vida por causa do frio, pois não existe um  plano de contingência, contudo  existe desde 2004 um plano para quem perde a vida associado a ondas de calor. 


2011:
Fevereiro de 2011
No mesmo período em 2011 as temperaturas estavam mais suaves e a precipitação era menor. A mortalidade também foi mais reduzida. 





2005:
Fevereiro de 2005




Ora se a precipitação e a temperatura média do ar estavam muito semelhantes nos períodos de 2005 e 2012, não foi por factores climatéricos que explica este aumento invulgar de mortalidade.

Teles de Araújo, presidente do Observatório das doenças Respiratórias, dá ênfase às condições climatéricas: falta de chuva, temperaturas baixas, maior número de partículas e de ozono no ar. 

Por isso não podemos afirmar que foi apenas pela vaga de frio. Houve factores directos e indirectos que contribuíram para tal. Factores políticos, com medidas austeras economicistas que proporcionaram este aumento:


·         Portugal é o País da União Europeia onde mais se morre por falta de condições de isolamento e aquecimento nas casas



Como um país com um clima temperado, mediterrânico, com as temperaturas mais agradáveis a nível Europeu é também o país onde mais frio se passa em casa? Um problema de raíz, de engenheiros e construtores civis que não tiveram em conta a qualidade de materiais usadas na construção das mesmas. Como se não bastasse agrava-se uma diminuição de poder de compra da maior parte dos portugueses é também confrontado com um aumento do IVA na electricidade em 23%, o que torna o ambiente ainda mais frio. Pior que Portugal só a Bulgária. 

·         Aumento das tarifas de electricidade 

Outra das medidas de austeridade que faz parte do memorando imposto pela Troika, faz com que o uso da electricidade seja repensado mesmo que muitos idosos passem frio e fiquem com uma pensão ainda mais reduzida.



  • ·         Aplicação de taxas moderadoras

Variavam entre 2 e 9 euros por consulta. Agora, as consultas nos centros de saúde públicos passam a custar cinco euros, os atendimentos nas urgências dos hospitais distritais, 15 euros, e nos hospitais centrais (em Lisboa e no Porto), 20 euros. 
Se antigamente era um direito básico gratuito e eficaz, hoje em dia a ida ao médico é ponderada dado os preços praticados. Como se não bastasse as comparticipações do Estado em medicamentos são cada vez mais reduzidas. Tudo em prol do progesso do país mesmo que se tenha que sacrificar o aspecto mais importante do cidadão português: a saúde. 


Pela primeira vez em 25 anos, a despesa em bens alimentares diminuiu. 
Se a quantidade de bens alimentares diminuiu a qualidade e a diversidade para a prática de uma alimentação saudável também fez com que as defesas do idoso sejam mais reduzidas, mais vulneráveis à gripes e outros tipos de agressões do mundo exterior. 

  •         O número de idosos vacinados em Portugal é de 59%. A meta europeia é de 75% para 2014.  


  •          Suícidios aumentaram 10% em Portugal

Grande parte são idosos. Aumento em 10% em relação ao ano anterior.



Este aumento de mortos acentuou-se no grupo acima dos 75 anos, isto na terceira semana de Fevereiro onde se registou os tais 3000 óbitos. 
  •       O vírus A(H3N2)

·          É o vírus responsável e com maior expressividade neste momento. Se o vírus associado à gripe das aves o grupo de pessoas mais vulnerável eram os jovens, neste são os idosos.

A gripe atingiu o valor máximo alguma vez registado em Portugal. A epidemia, que está associada ao excesso de 2100 mortes verificadas nas últimas cinco semanas (em comparação com as mortes verificadas nas mesmas cinco semanas de 2011), deverá atingir esta semana valores ainda mais elevados, pois o último relatório do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge informa que a progressão da doença apresenta uma "tendência crescente".

Como podemos ver, não é só pelo frio. Nos outros países há muito mais frio mas os idosos vivem com dignidade em locais acolhedores e devidamente aquecidos. Com estas medidas de austeridade as pensões tão reduzidas não conseguem fazer face às dificuldades impostas do seu dia-a-dia.
O frio já passou, agora até temos um Sol de Verão nos próximos dias, esperemos que a gripe não faça mais vítimas. 

Pedro Simões,
Aluno de Gerontologia Social


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