Aumento da mortalidade, fora do comum entre idosos, sobretudo os de idade superior a 75 anos de idade.
Como se explica este insólito?
Em apenas uma semana, morreram mais de três mil pessoas?
Tabela nº1: Mortalidade semanal de 2010 a 2012:
No mês de Fevereiro de 2011 o valor é de 2500, no
mesmo período de 2012 é de 3000 mortos. Quais os motivos?
Segundo Francisco George, da Direcção-Geral de Saúde explica que
assistimos “um comportamento cíclico, marcadamente sazonal, relacionado com a
disseminação do vírus da gripe tipo A mais comum, o H3N22”.
Por sua vez o ministro da saúde não especificou
grandes detalhes, referindo também que este aumento está relacionado com o
Inverno rigoroso: “São dados revelados pelo Instituto Ricardo Jorge,
que faz a monotorização apertada destes casos de mortalidade. Há um aumento em
termos homólogos e o instituto está a descer mais a fundo na monotorização para
sabermos as causas, se é do frio anormal ou de outro tipo de situações”.
Como outras fontes entre quais a PSP, será que
este Inverno foi assim tão duro ?
Temos que comparar dados. Vamos comparar o
período de 2005, em que o clima foi semelhante ao presente, um Verão tardio, e
um inverno rigoroso, com pouca precipitação e com temperaturas muito
reduzidas. Mas também irei comparar os dados do ano anterior para confirmar que
este número não está relacionado apenas com factores climatéricos.
2012:
Fevereiro de 2012,
Fevereiro de 2012,
Em termos de precipitação
foi bastante reduzido, pouco característico para Fevereiro, o
que fez com que o país
ficasse em seca, comprometendo a produção agrícola nacional.
Em termos de temperaturas,
houve uma vaga de frio que fez 700 mortes na Europa e em Portugal não se pode
afirmar com toda a certeza quem já perdeu a vida por causa do frio, pois não
existe um plano de contingência, contudo existe desde
2004 um plano para quem perde a vida associado a ondas de calor.
2011:
Fevereiro de 2011
Fevereiro de 2011
No mesmo período em 2011 as
temperaturas estavam mais suaves e a precipitação era menor. A mortalidade
também foi mais reduzida.
2005:
Fevereiro de 2005
Ora se a precipitação e a
temperatura média do ar estavam muito semelhantes nos períodos de 2005 e 2012,
não foi por factores climatéricos que explica este aumento invulgar de
mortalidade.
Teles de Araújo, presidente
do Observatório das doenças Respiratórias, dá ênfase às condições
climatéricas: falta de chuva, temperaturas baixas, maior número de
partículas e de ozono no ar.
Por isso não podemos afirmar
que foi apenas pela vaga de frio. Houve factores directos e indirectos
que contribuíram para tal. Factores políticos, com
medidas austeras economicistas que proporcionaram este aumento:
Como um país com um clima
temperado, mediterrânico, com as temperaturas mais agradáveis a nível
Europeu é também o país onde mais frio se passa em casa? Um problema de raíz,
de engenheiros e construtores civis que não tiveram em conta a qualidade
de materiais usadas na construção das mesmas. Como se não bastasse
agrava-se uma diminuição de poder de compra da maior parte dos portugueses é
também confrontado com um aumento do IVA na electricidade em 23%, o que torna o
ambiente ainda mais frio. Pior que Portugal só a Bulgária.
· Aumento das tarifas de electricidade
Outra das medidas de austeridade que faz parte do
memorando imposto pela Troika, faz com que o uso da electricidade seja
repensado mesmo que muitos idosos passem frio e fiquem com uma pensão ainda
mais reduzida.
- · Aplicação de taxas moderadoras
Variavam entre 2 e 9 euros por consulta. Agora,
as consultas nos centros de saúde públicos passam a custar cinco euros, os
atendimentos nas urgências dos hospitais distritais, 15 euros, e nos hospitais
centrais (em Lisboa e no Porto), 20 euros.
Se antigamente era um direito básico gratuito e
eficaz, hoje em dia a ida ao médico é ponderada dado os preços praticados. Como
se não bastasse as comparticipações do Estado em medicamentos são cada vez mais
reduzidas. Tudo em prol do progesso do país mesmo que se tenha que sacrificar o
aspecto mais importante do cidadão português: a saúde.
Pela primeira vez em 25 anos, a despesa em bens
alimentares diminuiu.
Se a quantidade de bens alimentares diminuiu a
qualidade e a diversidade para a prática de uma alimentação saudável também fez
com que as defesas do idoso sejam mais reduzidas, mais vulneráveis à
gripes e outros tipos de agressões do mundo exterior.
- O número de idosos vacinados em Portugal é de 59%. A meta europeia é de 75% para 2014.
- Suícidios aumentaram 10% em Portugal
Grande parte
são idosos. Aumento em 10% em relação ao ano anterior.
Este aumento
de mortos acentuou-se no grupo acima dos 75 anos, isto na terceira semana
de Fevereiro onde se registou os tais 3000 óbitos.
- O vírus A(H3N2)
·
É o vírus responsável e com maior
expressividade neste momento. Se o vírus associado à gripe das aves o
grupo de pessoas mais vulnerável eram os jovens, neste são os idosos.
A gripe atingiu o valor máximo alguma vez registado em Portugal. A
epidemia, que está associada ao excesso de 2100 mortes verificadas nas últimas
cinco semanas (em comparação com as mortes verificadas nas mesmas cinco semanas
de 2011), deverá atingir esta semana valores ainda mais elevados, pois o último
relatório do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge informa que a
progressão da doença apresenta uma "tendência crescente".
Como podemos ver, não é só pelo frio. Nos outros países há muito mais frio mas os idosos vivem com dignidade em locais acolhedores e devidamente aquecidos. Com estas medidas de austeridade as pensões tão reduzidas não conseguem fazer face às dificuldades impostas do seu dia-a-dia.
O frio já passou, agora até temos um Sol de Verão nos próximos dias, esperemos que a gripe não faça mais vítimas.
O frio já passou, agora até temos um Sol de Verão nos próximos dias, esperemos que a gripe não faça mais vítimas.
Pedro Simões,
Aluno de Gerontologia Social







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