Desde há alguns anos, o envelhecimento da população tornou-se uma das
principais preocupações no domínio da saúde. A população está cada vez mais
envelhecida visto que esperança média de vida tem vindo a aumentar.
O envelhecimento é um processo
universal e irreversível que provoca inevitáveis mudanças na sociedade
especialmente ao nível dos cuidados de saúde. É importante conhecer e
compreender as limitações e necessidades características da população idosa, de
forma a prestar uma assistência eficaz e direccionada aos seus principais
problemas.
Apesar de toda esta realidade por
demais evidente, a sociedade nem sempre compreende, aceita e lida com os idosos
da forma mais correcta. Eles constituem um grupo com particularidades
fisiológicas, isto é, um funcionamento especial dos seus órgãos e sistemas em
condições de normalidade. As suas patologias são numerosas e específicas.
Os idosos são, por isso, merecedores de atenção e cuidados assistenciais.
O
idoso carece cada vez mais de uma atenção especial e cuidada. A idade torna-se
um factor de risco e uma representação de uma vulnerabilidade biológica,
psicológica e social.
Seguidamente
apresenta-se uma das patologias mais comuns nos idosos: a Incontinência
Urinária.
A Incontinência
Urinária
Devido
a problemas específicos e patologias associadas, os idosos constituem uma
população em risco relativamente a alterações da eliminação urinária. No
entanto, este problema é pouco documentado, sobretudo no que se relaciona com a
incontinência urinária.
Com
o avanço da idade a bexiga perde eficácia e suporte como resultado do
enfraquecimento do pavimento pélvico.
O
esvaziamento reflexo da bexiga é auxiliado pela contracção dos músculos da
parte inferior do abdómen, que aumentam a pressão da bexiga e promovem a
contracção reflexa. Contudo, a lesão dos nervos associada ao processo de
envelhecimento vai comprometer a acção do esfíncter externo e os músculos
esqueléticos do pavimento pélvico conduzindo a uma perda do tónus esfincteriano
e consequentemente ao esvaziamento periódico de urina.
A
incontinência é uma palavra que ao ser utilizada por si só, sem caracterização
das diferentes parametrizações, torna-se muito vaga pois não fornece informação
pertinente acerca dos reais problemas relacionados com o controlo urinário do
idoso.
Deve dar-se especial atenção à
destreza que o idoso demonstra no despir e vestir e quais as limitações. Estas
podem afectar a ida à casa de banho e esta AVD (actividade da vida diária)
poderá ser evitada ou adiada por parte do idoso, provocando um episódio de
incontinência.
A
eliminação da urina pode ser subdividida em dois grandes grupos: em retenção
urinária/incapacidade da bexiga em produzir urina; ou em incontinência
urinária.
A
incontinência urinária define-se como a emissão involuntária de urina.
Segundo
a Sociedade Internacional de Continência (ICS), a incontinência urinária (IU) é
definida como uma condição em que a perda involuntária de urina é um problema
social, higiénico e objectivamente demonstrável (Abrams et al, 1998). É uma
condição considerada como um sinal e um sintoma e não uma doença, mas que
desencadeia uma situação de perda de auto-estima, vergonha e isolamento social.
Categorias da
Incontinência Urinária no Idoso
Sob o ponto de vista fisiopatológico, a IU divide-se em 5 categorias.
Contudo, em geriatria são utilizadas quatro destas categorias para classificar
os vários tipos de incontinência:
Incontinência
Funcional – estado em que o indivíduo tem dificuldade em se deslocar aos sanitários,
devido a factores ambientais, desorientação ou limitações funcionais.
Instabilidade
do Esfíncter – estado em que o indivíduo emite involuntariamente urina,
devido à urgência em urinar.
Incontinência Total – estado em
que o indivíduo urina, continuamente e de forma imprevisível.
Incontinência de Esforço – estado em que o indivíduo perde
pequenas quantidades de urina, durante o esforço.
Poderão
coexistir uma ou mais categorias no mesmo indivíduo, sendo por isso uma
incontinência de carácter misto.
Existe
ainda outro critério para classificar a IU: a reversibilidade; definindo-se
assim dois tipos: a incontinência reversível e a incontinência irreversível.
Quando
a incontinência é irreversível não quer dizer que não seja tratável, podendo
desencadear sentimentos de ambivalência quer por parte dos profissionais quer
por parte das famílias. Por esta razão, as intervenções estabelecidas para o
idoso devem ser apresentadas de acordo com os objectivos realistas quer para o
beneficiário (idoso), quer para as famílias.
A
primeira intervenção junto do idoso com IU irreversível consiste em sondar os
sentimentos do indivíduo face ao seu problema crónico.
Após
a explicação da condição e respectivas implicações na vida diária do idoso, é
importante aconselhar o idoso a utilizar cuecas/fralda para a incontinência.
Deste modo evitará molhar a roupa e sentir-se-á muito mais à vontade. Para além
disso, estas cuecas evitarão a propagação do cheiro, um dos factores
determinantes para o isolamento dos idosos.
No
tratamento da IU reversível pretende-se reduzir, eliminar ou neutralizar os
factores responsáveis pela incontinência.
A elaboração de um programa de cuidados para a incontinência urinária
reversível necessita, com efeito, da participação de todos os membros da equipa
interdisciplinar e da família. Se um dos intervenientes se recusar a seguir uma
determinada metodologia, como por exemplo conduzir o idoso à casa de banho 30
minutos antes do seu período de incontinência diária, o programa não será bem
sucedido.
Segundo Berger
(1995) Programa de Cuidados para a Incontinência Urinária Reversível
- O fortalecimento dos esfíncteres e dos músculos
pélvicos.
- Evitar dar ao idoso bebidas diuréticas como café,
chá, sumo de laranja, cacau ou álcool e, quando beber deverá ir urinar
passada meia hora.
- Conduzir regularmente o idoso à casa de banho,
particularmente ao acordar, antes ou depois das refeições, e ao deitar.
- Recomenda-se que o idoso urine meia hora antes da hora
habitual da incontinência.
- Estar atento à medicação pois alguns medicamentos
possuem efeitos secundários diuréticos, e são principalmente problemáticos
quando administrados à noite, pois aumentam o risco de incontinência
urinária.
- Deve-se modificar o ambiente
- Eliminar
obstáculos no caminho da casa de banho,
- Utilização de
roupas práticas para facilitar o vestir e o despir,
- Colocar uma
bacia ou um urinol junto à cama.
- Aconselhar o idoso a não beber água fria pois esta
estimula a micção.
- Aconselhar o idoso a urinar assim que sente vontade
de o fazer, pois ao contrário do jovem adulto, que sente o primeiro sinal
para urinar quando a bexiga contém 150 ml de urina e o segundo quando tem
400ml, o idoso nem sempre sente o primeiro sinal.
- Aconselhar a esvaziar a bexiga sempre que sai de
casa.
Bibliografia
1.Almeida, L. B. (Fevereiro de 2006) A idade não perdoa? – O idoso à
luz da neurologia gerontológica (1ª Edição). Lisboa: Editora Gradiva
2.Santos N.; Dias F.; Morais, F.; Gorjão, C. J. (2000) Revista de
geriatria
3. Berger, L.
(1995) Pessoas idosas - Uma Abordagem Global (1ª Edição). Lisboa: Lusodidacta. pp: 273-279
4. Laycock
J.; Haslam, J. (2004) Therapeutic
Management of incontinence and Pelvic Pain- Pelvic Organ disorders. Great Britain:
Springer
5.Costa, M.
(1999) Manual de Sinais Vitais – O idoso,
problemas e realidade (1ª Edição). Formasau Editora
Sem comentários:
Enviar um comentário