domingo, 18 de março de 2012

A Incontinência Urinária no Idoso


Desde há alguns anos, o envelhecimento da população tornou-se uma das principais preocupações no domínio da saúde. A população está cada vez mais envelhecida visto que esperança média de vida tem vindo a aumentar.
            O envelhecimento é um processo universal e irreversível que provoca inevitáveis mudanças na sociedade especialmente ao nível dos cuidados de saúde. É importante conhecer e compreender as limitações e necessidades características da população idosa, de forma a prestar uma assistência eficaz e direccionada aos seus principais problemas.
            Apesar de toda esta realidade por demais evidente, a sociedade nem sempre compreende, aceita e lida com os idosos da forma mais correcta. Eles constituem um grupo com particularidades fisiológicas, isto é, um funcionamento especial dos seus órgãos e sistemas em condições de normalidade. As suas patologias são numerosas e específicas.
Os idosos são, por isso, merecedores de atenção e cuidados assistenciais.
O idoso carece cada vez mais de uma atenção especial e cuidada. A idade torna-se um factor de risco e uma representação de uma vulnerabilidade biológica, psicológica e social.
Seguidamente apresenta-se uma das patologias mais comuns nos idosos: a Incontinência Urinária.
A Incontinência Urinária
Devido a problemas específicos e patologias associadas, os idosos constituem uma população em risco relativamente a alterações da eliminação urinária. No entanto, este problema é pouco documentado, sobretudo no que se relaciona com a incontinência urinária.
Com o avanço da idade a bexiga perde eficácia e suporte como resultado do enfraquecimento do pavimento pélvico.
O esvaziamento reflexo da bexiga é auxiliado pela contracção dos músculos da parte inferior do abdómen, que aumentam a pressão da bexiga e promovem a contracção reflexa. Contudo, a lesão dos nervos associada ao processo de envelhecimento vai comprometer a acção do esfíncter externo e os músculos esqueléticos do pavimento pélvico conduzindo a uma perda do tónus esfincteriano e consequentemente ao esvaziamento periódico de urina.
A incontinência é uma palavra que ao ser utilizada por si só, sem caracterização das diferentes parametrizações, torna-se muito vaga pois não fornece informação pertinente acerca dos reais problemas relacionados com o controlo urinário do idoso.
            Deve dar-se especial atenção à destreza que o idoso demonstra no despir e vestir e quais as limitações. Estas podem afectar a ida à casa de banho e esta AVD (actividade da vida diária) poderá ser evitada ou adiada por parte do idoso, provocando um episódio de incontinência.
A eliminação da urina pode ser subdividida em dois grandes grupos: em retenção urinária/incapacidade da bexiga em produzir urina; ou em incontinência urinária.
A incontinência urinária define-se como a emissão involuntária de urina.  
Segundo a Sociedade Internacional de Continência (ICS), a incontinência urinária (IU) é definida como uma condição em que a perda involuntária de urina é um problema social, higiénico e objectivamente demonstrável (Abrams et al, 1998). É uma condição considerada como um sinal e um sintoma e não uma doença, mas que desencadeia uma situação de perda de auto-estima, vergonha e isolamento social.
Categorias da Incontinência Urinária no Idoso
Sob o ponto de vista fisiopatológico, a IU divide-se em 5 categorias. Contudo, em geriatria são utilizadas quatro destas categorias para classificar os vários tipos de incontinência:
Incontinência Funcional estado em que o indivíduo tem dificuldade em se deslocar aos sanitários, devido a factores ambientais, desorientação ou limitações funcionais.
Instabilidade do Esfíncter – estado em que o indivíduo emite involuntariamente urina, devido à urgência em urinar.
 Incontinência Total – estado em que o indivíduo urina, continuamente e de forma imprevisível.
Incontinência de Esforço – estado em que o indivíduo perde pequenas quantidades de urina, durante o esforço.
Poderão coexistir uma ou mais categorias no mesmo indivíduo, sendo por isso uma incontinência de carácter misto.
Existe ainda outro critério para classificar a IU: a reversibilidade; definindo-se assim dois tipos: a incontinência reversível e a incontinência irreversível.
Quando a incontinência é irreversível não quer dizer que não seja tratável, podendo desencadear sentimentos de ambivalência quer por parte dos profissionais quer por parte das famílias. Por esta razão, as intervenções estabelecidas para o idoso devem ser apresentadas de acordo com os objectivos realistas quer para o beneficiário (idoso), quer para as famílias.
A primeira intervenção junto do idoso com IU irreversível consiste em sondar os sentimentos do indivíduo face ao seu problema crónico.
Após a explicação da condição e respectivas implicações na vida diária do idoso, é importante aconselhar o idoso a utilizar cuecas/fralda para a incontinência. Deste modo evitará molhar a roupa e sentir-se-á muito mais à vontade. Para além disso, estas cuecas evitarão a propagação do cheiro, um dos factores determinantes para o isolamento dos idosos.
No tratamento da IU reversível pretende-se reduzir, eliminar ou neutralizar os factores responsáveis pela incontinência.
A elaboração de um programa de cuidados para a incontinência urinária reversível necessita, com efeito, da participação de todos os membros da equipa interdisciplinar e da família. Se um dos intervenientes se recusar a seguir uma determinada metodologia, como por exemplo conduzir o idoso à casa de banho 30 minutos antes do seu período de incontinência diária, o programa não será bem sucedido.
Segundo Berger (1995) Programa de Cuidados para a Incontinência Urinária Reversível
  • O fortalecimento dos esfíncteres e dos músculos pélvicos.
  • Evitar dar ao idoso bebidas diuréticas como café, chá, sumo de laranja, cacau ou álcool e, quando beber deverá ir urinar passada meia hora.
  • Conduzir regularmente o idoso à casa de banho, particularmente ao acordar, antes ou depois das refeições, e ao deitar.
  • Recomenda-se que o idoso urine meia hora antes da hora habitual da incontinência.
  • Estar atento à medicação pois alguns medicamentos possuem efeitos secundários diuréticos, e são principalmente problemáticos quando administrados à noite, pois aumentam o risco de incontinência urinária.
  • Deve-se modificar o ambiente
- Eliminar obstáculos no caminho da casa de banho,
- Utilização de roupas práticas para facilitar o vestir e o despir,
- Colocar uma bacia ou um urinol junto à cama.
  • Aconselhar o idoso a não beber água fria pois esta estimula a micção.
  • Aconselhar o idoso a urinar assim que sente vontade de o fazer, pois ao contrário do jovem adulto, que sente o primeiro sinal para urinar quando a bexiga contém 150 ml de urina e o segundo quando tem 400ml, o idoso nem sempre sente o primeiro sinal.
  • Aconselhar a esvaziar a bexiga sempre que sai de casa.

Bibliografia

1.Almeida, L. B. (Fevereiro de 2006) A idade não perdoa? – O idoso à luz da neurologia gerontológica (1ª Edição). Lisboa: Editora Gradiva
2.Santos N.; Dias F.; Morais, F.; Gorjão, C. J. (2000) Revista de geriatria
3. Berger, L. (1995) Pessoas idosas - Uma Abordagem Global (1ª Edição). Lisboa: Lusodidacta. pp: 273-279
4. Laycock J.; Haslam, J. (2004) Therapeutic Management of incontinence and Pelvic Pain- Pelvic Organ disorders. Great Britain: Springer
5.Costa, M. (1999) Manual de Sinais Vitais – O idoso, problemas e realidade (1ª Edição). Formasau Editora

 Ana Isabel Martins
Aluna 1.º Ano Gerontologia Social 2.º Semestre

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