Depois de atingirmos o estado adulto,poucas coisa temos certeza como a desvinculação ao qual o nosso corpo está biologicamente sujeito ,tenhamos nós vida e o processo está em curso.O sentido da vida embora nos assole em diversas alturas da nossa existência,talvez seja na velhice (para os afortunados que lá chegam),quando tomamos consciência que a nossa finitude está mais perto, e que mais insistentemente pensemos no porque desta vida humana que temos tido,nos valores que ela nos ensinou,e qual o seu verdadeiro propósito,nas vitorias conseguidas e nas frustrações e raiva acumuladas.
É talvez nestes pontos de passagem que mais humanos nos tornamos,passamos a valorizar muito mais os verdadeiros sentimentos que vamos conseguir levar dentro de nós quando partimos.Regra geral são os sentimentos e emoções que pertencem á esfera do amor,afectos e prazeres.
Com o avançar do envelhecimento processos de perdas e rejeições bem como limitações,estão permanentemente eminentes como se de o papão se trata-se.O ser idoso tem por isso tendência para o isolamento quer por sua iniciativa,por vezes forçado por algum tipo de patologia ou porque socialmente também se começa a sentir excluído,fisicamente e nos padrões de beleza actuais é um ser feio como o facto de já não ser um ser produtivo em termos laborais deixou de ter uma rotina e rotina regular de convivência.O facto de durante o seu período de trabalho dispor de muito pouco tempo livre para convívio social,leva-o a ter poucas actividades sociais,e na entrada na reforma fica subitamente com tempo livre onde possivelmente nem sabe o que fazer com esse mesmo tempo.A sua família,quando existe,também regra geral não está preparada para o compensar e preencher esse tempo,nem muitas vezes consegue ter consciência da solidão que esse tempo lhe pode fazer sentir.
Agregado a todas estas mudanças abruptas,uma crise de identidade é quase inevitável,com esta mudança de papeis,perdas e diminuição de contactos e obrigações sociais.
A família que deveria edificar as bases emocionais e físicas por vezes encontra-se ausente pelo simples facto de residir longe,o idoso vê-se assim com a qualidade de vida seriamente comprometida,o que acaba por desencadear um grande conflito interior,existencial que sem duvida vai acabar por o levar a questionar o sentido da vida.
Da parte das nossas politicas sociais,é notório uma ausência de prioridade de politicas responsáveis a fim de não só,defender e garantir qualidade de vida a estes cidadãos, como de ter uma sociedade organizada que permita a estes idosos poderem passar os seus ensinamentos e serem úteis aos restantes cidadãos e sociedade.
A sua inactividade profissional é uma mudança que obriga a maiores alterações ao seu estilo de vida,exigindo grande esforço de adaptação,ao parar de trabalhar o idoso não reconhece a sua existência social.
Outro aspecto que merece destaque não é só pela injustiça ,como pelo crescente numero de casos que a comunicação social nos dá a conhecer é a violência contra estes cidadãos,é deveras assustador ver que a violência tanto é exercida no seio familiar como na própria comunidade,esta violência pode-se manifestar de forma simbólica como explicita.
A mais comum talvez aconteça no ambiente familiar e em algumas instituições,por vezes é influenciada pelo aspecto monetário,ou seja,filhos,parentes próximos,apropriam-se de bens,reformas em troca do suposto cuidado,e o idoso quando toma consciência está perfeitamente subjugado sem autonomia para poder decidir a sua própria vida. Todas estas situações levam a que a auto-estima do idoso se revista de uma conotação extremamente negativa ao ponto de muitos cometerem suicídio para por fim a tais sofrimentos,etá chegarem a este extremo passam por depressões,apatia,isolamento,falta de motivação para a realização das tarefas mais simples. A todas estas dificuldades alia-se ainda as dificuldades de relacionamento e barreiras impostas pelas falhas de comunicação, a afectividade não expressa devido á introspecção e desapego característico desta faixa etária,juntando-se ainda problemas do cunho afectivo decorrentes do afuste de personalidade ou afectividade mal resolvida durante toda a sua vida que neste período se agrava. O idosos precisa de uma reeducação que lhe permita um envelhecimento saudável,tranquilo e feliz,é importante que seja facultado ao idoso a possibilidade de as suas questões de vida interior sejam consolidadas, e é aqui que penso que entre a psicologia e a gerontologia pode-se fazer um trabalho verdadeiramente prazeroso para o idoso.Respeitando a sua vontade,auxiliando onde ele facultar ajuda mediando os seus conflitos com o mundo e também lhe dando a conhecer nonas respostas para problemas antigos como é o caso da hipnose,a meditação, o tai-chi,ou a própria ocupação do tempo através da aprendizagem,alfabetização,novas tecnologias,a dança,a musica actividades estas que até desempenham um duplo papel,não só como ocupação do tempo,e convívio social como também desempenham um papel fundamental no retardamento de doenças degenerativas. O que para o idoso em questão,fizer realmente sentido,acompanha-lo para ele própria descobrir o que lhe faz falta.
REEDUCA-LO, OU REPROGRAMA-LO ANTES QUE A DEGRADAÇÃO COGNITIVA LHE ROUBE A AUTONOMIA.Ele é um ser que pode ainda ter vinte,trinta anos pela frente o que representa uma outra vida para viver e desfrutar com a sabedoria que só um privilegiado como ele tem.
VALORIZAÇÃO- Do idoso enquanto pessoa humana e ser social
ESCOLHAS- Dar-lhe meios e conhecimentos para ele poder fazer as suas próprias escolhas
RESPONSABILIDADE-Responsabiliza-lo para a manutenção da sua autonomia, e gestão da sua velhice
SIGNIFICADO IMEDIATO- Viver cada dia como se fosse o ultimo e acordar com a consciência que tem mais um dia para usufruir da oportunidade de estar vivo.
(extracto de trabalho realizado por mim). Helga Lavado
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