sexta-feira, 9 de março de 2012

Violência nos Idosos



A violência nos idosos é uma realidade social bem presente em diversos contextos. Apesar de serem já conhecidos e catalogados diversos tipos de maus-tratos, teorias explicativas de maus-tratos e negligência e factores de risco, os episódios de violência são reais quer no contexto familiar quer no contexto institucional. Na situação actual é necessária uma identificação dos intervenientes e uma avaliação cuidada dos mesmos para que se possa fazer uma intervenção eficaz na prevenção da violência contra os idosos em situações de risco ou travar situações que são já actos continuados.
Segundo Dias (2004) “A Violência é cada vez mais um tema presente em todos os segmentos sociais. Em Portugal só em 1999 é que foi criado um Plano Nacional contra a Violência Doméstica que, para além de incidir sobre as mulheres, passou a incluir, pela primeira vez, crianças e idosos. No nosso país, ainda se está numa fase muito incipiente ao nível do conhecimento desses fenómenos, embora já existam alguns estudos sobre a violência conjugal e os maus-tratos às crianças. A violência contra os idosos, no entanto, permanece um domínio muito desconhecido”(p.145). 
As causas para o aumento da violência referem-se a todas as faixas etárias, mas é em relação à velhice, etapa da vida em que as adaptações e necessidades se tornam motivo de preocupação, que a sua incidência é cada vez maior. As alterações no perfil etário da população com o aumento do número de idosos, a maior participação feminina dessas pessoas no mercado de trabalho, a instabilidade afectiva familiar e social desse segmento e a dependência financeira dos mais jovens que vivem com o salário do idoso reformado são alguns factores de violência que fazem contraponto com a dependência física e financeira de idosos sem suporte social. Por outro lado, os seus efeitos exigem que a população, despreparada para a convivência diária e diferenciada com pessoas idosas e as suas múltiplas necessidades, seja instruída e educada para conhecer e praticar recomendações que lhe são oferecidas a partir de legislação que já existe e que precisa de ser cada vez mais difundida (Fortalenza, 2007).

Violência
Segundo Figueiredo (1999), “Violência é a forma de opressão física, psíquica e social á qual um individuo pode ser submetido, seja por maus tratos – acto que objectiva infringir sofrimento físico a um sujeito; seja por abuso – acção ou omissão que coloca o indivíduo em posição de inferioridade, privando-o de necessidades básicas, ou ainda por negligência – esquecimento ou falha em providências que garantam a sua saúde em geral” (citado por Forlenza, 2007,  p.45).   
A violência não significa uma quebra de valores, mas uma ausência colectiva destes.
A Organização Mundial de Saúde, em 2001, reconheceu a necessidade de elaborar uma estratégia global para a prevenção dos maus-tratos às pessoas idosas, na qual foram definidas três grandes áreas: negligência (isolamento, abandono e exclusão social); violação (direitos humanos, legais e médicos) e a privação (eleição, tomada de decisões, situação social, gestão económica e de respeito) (Revista Espanhola Geriatria e Gerontologia, n.º37, p.319-331).

O papel de profissional de saúde
Princípios básicos da geriatria e da gerontologia
*       Promoção da saúde
*       Prevenção das doenças
*       Manutenção da capacidade funcional, preservando a independência e autonomia
*       Identificação da ocorrência de maus-tratos
*       Elaboração de estratégias e intervenção adequadas
É necessário que os profissionais de saúde sejam capacitados na prevenção, identificação e tratamentos de maus-tratos e negligência em idosos.
Os serviços de saúde, mais particularmente os sectores de emergência e os ambulatórios, constituem uma das principais portas de entrada das vítimas de maus-tratos e negligência.

O reconhecimento da violência contra os idosos veio colocar definitivamente em causa o mito da família moderna enquanto lugar privilegiado dos afectos. Por esta razão, o seu reconhecimento como problema social foi ainda mais tardio do que as duas formas de violência doméstica, apesar de, até então, se ter acreditado que existia uma espécie de Golden Age para a terceira idade. O prolongamento da vida destas pessoas, acompanhado muitas vezes por uma degeneração das suas faculdades físicas e psíquicas, a sua exclusão precoce da vida activa, associada, entre outros factores, a um sentimento negativo e de desvalorização dos indivíduos que se encontram nesta categoria social, torna os idosos particularmente vulneráveis a diversos tipos de violência.
Considera-se fundamental estimular acções que promovam educação gerontológica para todas as faixas etárias, em todos os níveis, na sociedade, na comunidade e nas famílias, visando a combater a forma de violência mais descrita pelos próprios idosos, que é o preconceito contra a velhice.

Ana Isabel Martins
Aluna do curso de Gerontologia Social

Bibliografia
·         Dias, Isabel (2004). Violência na família. Uma Abordagem Sociológica. Porto: Afrontamento.   
·         Fortalenza, Orestes V. (2007). Psiquiatria Geriátrica do Diagnóstico Precoce à Reabilitação. São Paulo: Atheneu.  
·         Organização Mundial de Saúde (2002) – rede internacional para a prevenção do maltrato ao idoso.
·         SCS, Figueiredo. (1999). O abuso na velhice a partir do olhar de pessoas idosas. Dissertação de Mestrado, USP-FFCL, Departamento de Psicologia e Educação. Ribeirão Preto.    
·         Gil, Ana (2010). Heróis do Quotidiano. Dinâmicas Familiares na Dependência. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.  
·         Freitas, E., Py, L., Cançado, F., Doll, J., Gorzoni, M., (2006). Tratado de Geriatria e Gerontologia 2.ª Edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan

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